sábado, 8 de dezembro de 2012

"PÂNICO 4" ("SCREAM 4", 2011)

A série “Pânico” ("Scream"), que estreou nos cinemas do mundo todo ainda nos anos 90 com um belo filme de terror ("Pânico", * * * *), sob a batuta do consagrado nome de Wes Craven, parecia fadada ao fracasso com as continuações fraquinhas (“Pânico 2”, cotação * * ½  e ”Pânico 3”, cotação * *).

Ocorre que “Pânico 4”, talvez pela volta de Wes Craven (bom diretor de filmes de terror) e Kevin Williamson (o roteirista), resgatou a série, com um terror afinado e um ritmo de suspense e comédia bastante interessantes. É o final é o mais surpreendente de todos.

O grande barato dos filmes da série, notadamente do primeiro, é a sua brincadeira com o próprio cinema de terror. Ocorre que o quarto exemplar não segue a mesma "pegada" do primeiro.

Ponto fraco da película é, como nos outros, a atuação de alguns atores, notadamente dos que estão em início de carreira.

A atriz Neve Campbell, longe de ser um primor, está menos canastrona nessa seqüência.

E a dupla Courtnei Cox, a repórter e David Arquette, o policial, embora separados na vida real, continuam em sintonia com seus personagens na fantasia.

É de se ressaltar, todavia, que uma nova continuação seria bastante desgastante para a série. Acredito que a criatividade tenha acabado, e o risco de repetição torna-se cada vez mais palatável.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"O HOMEM DA MÁFIA" ( "KILLING THEM SOFTLY", 2012)

File:Killing Them Softly poster.jpg
Matando eles suavemente. É o que faz Pitt.
Existem filmes feitos para poucos espectadores. Entediantes para a maioria, torna-se um prato cheio para divagações para outros, o que pode levá-lo a tornar-se um cult movie. É o que o destino parece, ou ao menos pode, reservar para este "O Homem da Máfia", longa dirigido por Andrew Dominik e estrelado por Brad Pitt.

A história gira em torno de negócios entre a máfia, representado por advogado, e um matador profissional, papel que coube à Brad Pitt. Eliminar desafetos da máfia é, para o personagem de Pitt, tão fácil como tirar um doce de uma criança. E tudo é feito numa época em que estava em plena marcha a campanha presidencial americana, em que Obama derrotou McCain. Possivelmente o diretor fez uma alegoria, unindo os ideiais de negócios do filme com o negócio obscuro que se tornou a economia americana naquela época, sufocada por crises e instabilidade e dominada pela insegurança. Insegurança, crise e instabilidade: eis um tripé que serve também para descrever a máfia e seus jogos sujos.

O filme tem cenas de ação que poderiam ter sido assinadas por Sam Peckinpah (o diretor de "Meu Ódio Será Tua Herança" e "Sob o Domínio do Medo"), estilosas e em câmera lenta. Há muito não se via no cinema, portanto - talvez o diretor John Woo tenha tentado implantar este estilo. Ponto para o diretor.

Ponto também para uma cena de uma conversa entre os dois bandidos, drogados. Feita na visão dos drogados, é uma pérola de humor negro.

Mas o filme peca em um roteiro às vezes confuso e também sem solução para alguns personagens.

Pessoalmente, não gostei da película. Acho que o filme é entediante, com uma ação que deixa a desejar (muito embora haja mortes violentíssimas) e falta um elemento de charme - uma protagonista do sexo feminino. Isso mesmo. "O Homem da Máfia" é um dos poucos filmes a não ter mulheres em sua trama - a exceção de uma cena em que há uma prostituta num quarto em que estavam o personagem de Pitt e seu companheiro. Além disso, não se cria nenhuma expectativa quanto ao resultado final do filme - é apenas uma sequência descritiva do trabalho do personagem de Brad Pitt.

Enfim, não sabemos se o filme se tornará ou não um cult movie, embora pareça ser esta a intenção do diretor. O cinema deve, antes de tudo, ser uma diversão para o público em geral, não para um grupo restrito. Não acho que este filme tem futuro na história da sétima arte, mas é uma aposta até certo ponto arriscada de minha parte. Só o futuro dirá.

Cotação: * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"OS ESTRANHOS" ("THE STRANGERS", )

File:Strangersposter.jpgThrillers, na acepção do vernáculo de Shakespeare, não indica propriamente um filme de terror, mas sim um filme que mexe com o lado emocional das pessoas,  impingindo-as uma sensação de medo diante de situações de perigo e tensão. E, para exemplificar o que é um thriller, nada melhor que "Os Estranhos", um dos filmes com maior nível de suspense dos últimos anos.
O filme é um grande exercício do dueto suspense e terror. Estão ali todos os elementos responsáveis pela sensação de medo. Todos são clichês, não há novidades. Mas o tratamento recebido pelos realizadores do filme é digno de nota - os clichês bem trabalhados  resultaram em um ótimo filme, repleto de sustos e situações tensas.

O enredo é simples. Um casal em crise vai para a casa de campo depois de um casamento e, isolados, passam a ser assediados por uma família um tanto estranha e sem rosto - um homem e duas meninas. O que se sucede é uma jornada apavorante de terror, com direito a batidas na porta, aparecimento e desaparecimento de vultos dos vilões sem que os heróis percebam, escritos nas paredes, etc.

Os protagonistas, Liv Tyler e Scott Speedman, Kirsten e James, respectivamente, defendem bem seus respectivos papéis.

Enfim, um dos grandes filmes da safra de terror pós ano 2000, que vale a pena ser visto. E de luz apagada! 

Cotação: * * * *

TOP 100 - MELHORES THRILLERS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 33

sábado, 10 de novembro de 2012

"TYSON" ("TYSON", 2008)

File:Tysonfilmposter.jpgUm documentário extremamente interessante nos revela uma faceta mais humana daquele que foi uma das maiores lendas da história do boxe: Mike Tyson.

O "Iron Man" (Homem de Ferro), que sabidamente conta com uma história interessante, merecia um documentário à altura de sua lenda, e conseguiu. O primeiro filme sobre Tyson, da HBO, de 1995, também foi um bom filme (* * *), embora menos profundo que este.

A história do lendário lutador é mesmo um drama. Retirado do submundo do crime pelo mentor Cus D´Amato, Tyson começou a trilhar o sucesso nos campeonatos amadores até que, em 1986, destruiu no segundo assalto o até então campeão mundial dos peso-pesados Trevor Berbick. Seu mentor nem mesmo chegou a ver este sucesso. E a perda de Cus foi significativa para o que viria pela frente para a fera. Envolvimento com mulheres o levaram à bancarrota, tanto financeira, quanto esportivamente. O que se viu foi uma progressiva decadência do imbatível "Iron Man", até a sua primeira derrota, para o inexpressivo "Buster" Douglas e a prisão, em decorrência de suposto estupro praticado contra a jovem Desiree Washington.

O enredo é narrado pelo próprio Tyson que, no auge de sua sinceridade, torna mito alguns - a exemplo de Cus D´Amato e torna monstro outros - a exemplo de Don King, o inescrupuloso empresário de boxe.

Também o filme mostra o porquê de um dos episódios mais memoráveis de sua carreira - a mordida na orelha de Holyfield, na segunda luta entre os dois. Aliás, foram duas mordidas. A explicação de Tyson, que é também facilmente visualizável nas lutas: as cabeçadas dadas pelo "Real Deal". Holyfield usou e abusou de uma tática suja, para minar a resistência de Tyson, porque só assim poderia vencer. E Tyson, num acesso de fúria (dentre tantos outros que teve na vida), resolveu revidar. Não que isso justifique, mas sim ajuda a explicar.

Conta ainda outras curiosidades sobre o astro, como, por exemplo, a origem de sua tatuagem no rosto - homenagem aos maoris neozelandeses; a mudança de religião durante o período em que esteve preso; dentre outras tantas.

Enfim, Tyson é um personagem de que realmente tenho muito para falar, já que foi um dos meus ídolos no esporte - não na vida, diga-se. Considero firmemente que, se tivesse mais cabeça, Tyson poderia ser um dos três maiores pugilistas da história. Mas o seu exemplo de auge e decadência pode mostrar aos mais jovens algumas liçoes importantes, para que não cometam os mesmos erros.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 32

"TYSON" ("TYSON", 2008)

File:Tysonfilmposter.jpgUm documentário extremamente interessante nos revela uma faceta mais humana daquele que foi uma das maiores lendas da história do boxe: Mike Tyson.

O "Iron Man" (Homem de Ferro), que sabidamente conta com uma história interessante, merecia um documentário à altura de sua lenda, e conseguiu. O primeiro filme sobre Tyson, da HBO, de 1995, também foi um bom filme (* * *), embora menos profundo que este.

A história do lendário lutador é mesmo um drama. Retirado do submundo do crime pelo mentor Cus D´Amato, Tyson começou a trilhar o sucesso nos campeonatos amadores até que, em 1986, destruiu no segundo assalto o até então campeão mundial dos peso-pesados Trevor Berbick. Seu mentor nem mesmo chegou a ver este sucesso. E a perda de Cus foi significativa para o que viria pela frente para a fera. Envolvimento com mulheres o levaram à bancarrota, tanto financeira, quanto esportivamente. O que se viu foi uma progressiva decadência do imbatível "Iron Man", até a sua primeira derrota, para o inexpressivo "Buster" Douglas e a prisão, em decorrência de suposto estupro praticado contra a jovem Desiree Washington.

O enredo é narrado pelo próprio Tyson que, no auge de sua sinceridade, torna mito alguns - a exemplo de Cus D´Amato e torna monstro outros - a exemplo de Don King, o inescrupuloso empresário de boxe.

Também o filme mostra o porquê de um dos episódios mais memoráveis de sua carreira - a mordida na orelha de Holyfield, na segunda luta entre os dois. Aliás, foram duas mordidas. A explicação de Tyson, que é também facilmente visualizável nas lutas: as cabeçadas dadas pelo "Real Deal". Holyfield usou e abusou de uma tática suja, para minar a resistência de Tyson, porque só assim poderia vencer. E Tyson, num acesso de fúria (dentre tantos outros que teve na vida), resolveu revidar. Não que isso justifique, mas sim ajuda a explicar.

Conta ainda outras curiosidades sobre o astro, como, por exemplo, a origem de sua tatuagem no rosto - homenagem aos maoris neozelandeses; a mudança de religião durante o período em que esteve preso; dentre outras tantas.

Enfim, Tyson é um personagem de que realmente tenho muito para falar, já que foi um dos meus ídolos no esporte - não na vida, diga-se. Considero firmemente que, se tivesse mais cabeça, Tyson poderia ser um dos três maiores pugilistas da história. Mas o seu exemplo de auge e decadência pode mostrar aos mais jovens algumas liçoes importantes, para que não cometam os mesmos erros.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 32

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"SOB O SOL DA TOSCANA" ("UNDER THE TUSCAN SUN", 2003)

File:Under the tuscan sun poster.jpg
Poster do filme.
Eis um filme que vai agradar em cheio o público feminino: "Sob o Sol da Toscana", baseado no livro homônimo escrito pela americana Frances Mayes.

O enredo é interessante. Tudo começa quando duas amigas homossexuais de Frances Mayes (isso mesmo, a própria escritora é a personagem do filme, interpretada pela bela Diane Lane) oferecem a ela a oportunidade de uma viagem à Toscana, em uma excursão para gays. Aproveitando o fato de que tinha acabado de se divorciar, aliado à problemas de concentração em seu apartamento (leia-se barulhos), a escritora resolve mesmo tomar rumo para terras italianas. Chegando em Cortona, encanta-se com a cidade e com uma casa e resolve ali ficar. Daí para frente, uma série de situações advindas do envolvimento da escritora na comunidade geram risos e dramas.

Diane Lane, embora não tenha um carisma formidável, empresta leveza e simpatia à personagem.


Destaque também para a interpretação pontual de Lyndsay Duncan, que faz Katherine. Em um dado momento, ela homenageia Fellini interpretando cena similar àquela de Anita Ekberg na Fontana de Trevi, famosa no filme "La Dolce Vita".

As locações em Cortona são belíssimas, assim como a fotografia. Também há uma parte rodada na Costa Almafitana, uma paisagem sublime, além de Roma e Florença.

O enredo, às vezes previsível, é mais interessante que pedante. E traz ótimas soluções ao final.

Curiosidade: realmente a escritora Frances Mayes adotou Cortona como cidade base, para as suas sempre presentes incursões literárias. Muito embora há muito de ficção no desenvolvimento do enredo do filme.

Enfim, um programa que certamente agradará em cheio ao público feminino, mas que também poderá servir de diversão à toda a família.

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim, mas há controvérsias.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 31

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"A HORA DO ESPANTO" ("FRIGHT NIGHT", 2011)

Um dos filmes emblemáticos dos anos 80, "A Hora do Espanto" é considerado uma das melhores obras do gênero, ou subgênero, terrir (terror + comédia), de todos os tempos. Lançado em 1985, é um filme extremamente interessante, com um bom roteiro e atuações memoráveis.

Não é o que acontece com esta versão "remake" de 2011.

Nesta, o filme não tem a mesma simpatia do original. Os próprios atores não conduzem seus papéis com o mesmo carisma dos anteriores.

A hístória é bem bolada. Nela, um adolescente percebe que seu vizinho é uma pessoa muito estranha. Com o tempo, descobre que é um vampiro. A partir desta premissa, situações divertidas e engraçadas se sucedem, até o desfecho.

O "remake" tem um clima mais pesado que o original, com uma filmagem bastante escura que desagradou, e muito, críticos de cinema em todo o mundo. É mesmo impossível discordar dessa crítica. A ambientação escura não faz bem aos olhos do espectador, e também não aumenta o terror.

Enfim, é um filme que não chega nem aos pés do original. Deixa a desejar. Serve, entretanto, como um entretenimento regular de domingo à tarde.

Cotação: * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim, embora relativo. Considerado um filme mediano.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 30