domingo, 4 de maio de 2014

"AMANTE A DOMICÍLIO" ("FADING GIGOLO", 2013)

File:Fading Gigolo poster.jpgWoody Allen é sempre uma atração à parte, seja como diretor, seja como ator. É ele que empresta vida a um filme apenas mediano: "Amante a Domicílio", de John Turturro.
 
Allen vive Murray, um personagem extremamente engraçado - é uma espécie de cafetão, que quer ganhar dinheiro às custas de um amigo. Assim, inicia a prostituição do amigo em meio a um bairro extremamente conservador, composto basicamente de judeus ortodoxos. Só não contava com o envolvimento do "gigolô" com uma judia ortodoxa. E com o conservadorismo do bairro judeu.  A partir dessa premissa, desenrolam-se situações engraçadas, outras nem tanto.
 
O filme tem até uma premissa e um desenho de roteiro interessantes. Ocorre que o diretor não consegue desenvolver a contento o argumento. Assim, as situações engraçadas são escassas e pouco exploradas; alguns atores encenam personagens sem alma;  a história de amor tem um desfecho decepcionante; e o suposto conservadorismo dos judeus ortodoxos também não é devidamente explorado.
 
Desse modo, o filme é apenas regular. Um desperdício de roteiro, talentos e da veia cômica de Allen.
 
Cotação: * *
 
SUCESSO DE BILHETERIA: Não.
 
SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não, mas há controvérsias.
 
SUCESSO DE CRÍTICA: No Brasil, sim. No exterior, não.
 
PRÊMIOS: Nenhum.  

quarta-feira, 16 de abril de 2014

"CAPITÃO AMÉRICA 2- O SOLDADO INVERNAL" ("CAPTAIN AMERICA 2 - THE WINTER SOLDIER", 2014)

Capitão América está de volta. Mais um filme Marvel? Não. É "o filme Marvel", a maior diversão que a empresa produziu a seus espectadores em muitos anos. Estamos falando da superprodução "Capitão América 2- O Soldado Invernal".
 
Um filmaço. O roteiro ágil, cheio de ação, transforma a aventura em um entretenimento de primeira. O longa conta a história de um Steve Rogers nos tempos atuais, depois de muitos anos "congelado", surpreendido por uma organização "Shield" infiltrada por muitos membros da Hydra, uma outra organização, só que do mal. Passa-se então à luta contra os traidores e malfeitores, chegando-se ao ponto de um amigo do Capitão perguntar quem era do bem e quem era do mal, no que o Capitão América responde: "aquele que não atirar em você".
 
O filme tem uma pitada de humor deliciosa, como na cena da lista das coisas que o Capitão perdeu enquanto estava adormecido. Conta-se que a tal lista varia de país para país, e só mesmo no vídeo é que poderemos ver as pérolas da lista "brasileira". Espero que não conste as mulheres frutas, as filósofas contemporâneas, dentre outras aberrações que fazem sucesso em nosso país, à custa da falta de informação da maioria da população.
 
O ator Chris Evans é sem carisma, mas não compromete o resultado final. Convenhamos, é tanta ação que fica difícil qualquer ator atrapalhar a trama. Tem também um personagem simpático, o Falcon, que voa e ajuda muito o protagonista.
 
O longa conta ainda com Scarlett Johansson (exuberante nas cenas de luta, como a viúva negra), Robert Redford (um pouco fora de forma, como o maior dos vilões) e Samuel L. Jackson (como Nick Fury, que passou muito aperto em uma das melhores cenas do filme).
 
Interessante também foram as mensagens do filme. Uma delas, a da força da amizade, em que o herói desiste de lutar contra o seu inimigo atual (o tal "soldado invernal", humano que sofre uma lavagem cerebral e se torna uma máquina de matar) que, anos atrás, era seu principal companheiro de lutas.
 
 Enfim, uma diversão de primeira, no melhor filme da grife "Marvel". Entretenimento elevado à máxima potência!
 
Cotação: * * * *
 
SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.
 
SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.
 
SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.
 
PRÊMIOS: Nenhum.
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"NOÉ" ("NOAH", 2014)

Ficheiro:Noah2014Poster.jpgO cinema tem como uma de suas fontes inesgotáveis de roteiro justamente a Bíblia, o livro mais lido e comprado do mundo em todos os tempos. E a história da "Arca de Noé", que salva os animais, tidos como seres inocentes em um mundo devastado pelo pecado e pela corrupção, do dilúvio, é uma das mais famosas passagens do livro sagrado. "Noé", com Russel Crowe, retrata essa passagem biblíca, embora com muitas modificações.
 
Para início de resenha, devo dizer que não gostei do filme. E o meu desprezo pela película não advém propriamente de questões religiosas, mas sim por uma série de fatores ligados à arte cinematográfica, como roteiro e atuação dos atores.
 
Achei Russel Crowe um perfeito canastrão na pele de Noé. No imaginário popular - e também na história biblíca - o personagem Noé, neto de Matusalém, era um senhor extremamente velho, com mais de quinhentos anos de idade. Russel não aparenta isso, embora esteja longe da forma e do aspecto físico apresentados no sucesso "Gladiador". Não gosto dele como ator, e sua atuação, especialmente nesse filme, está longe de causar comoção.
 
O mesmo se pode dizer das atrizes (Emma Watson e Jennifer Connely) e atores coadjuvantes, sendo o pior do filme justamente o vilão, caricatural e sem personalidade.
 
Mas esses não são os únicos defeitos do filme. O roteiro desperdiça uma ótima chance de contar uma história digna, com um viés ambiental (tão em voga atualmente) e com uma mensagem sublime. Nada disso acontece. O roteiro transforma Noé em uma figura até vingativa, não honrando o Noé da Biblía, tratado, inclusive, pela alcunha de "Princípe da Justiça". O que dizer de um Noé que não aceita as duas netas, prometendo matá-las ao nascer?  Um Noé que passa o tempo todo pensando em matar duas crianças indefesas, chegando, ao final, a ponto de empunhar uma faca contra as inocentes... Uma cena de suspense de extremo mau gosto!
 
 E, para piorar, o filme lança novos personagens, chamados "guardiões", que mais parecem "transformers" da idade da pedra, sem nenhum charme e muito caricaturais.
 
Fica uma pergunta: o mundo nosso de hoje precisa ser reconstruído? Os sentimentos bons devem prevalecer? A resposta para ambas as questões só pode ser afirmativa. "Noé" e sua arca contam uma história bem atual. A luta pela preservação da natureza passa pela conservação do ambiente em que vivemos, dos bons tratos com os animais, enfim, do desenvolvimento sustentável. Um mundo em que as gerações futuras possam ter boa qualidade de vida.
 
Vamos tentar tirar essa lição do filme, abstraindo-se todas as suas imperfeições e incoerências. Afinal de contas, nem sempre o cinema dá conta de transmitir o recado. No caso de "Noé", não conseguiu. .
 
Cotação: * *
 
SUCESSO DE BILHETERIA: Não.
 
SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.
 
SUCESSO DE CRÍTICA: Não.
 
PRÊMIOS: Nenhum.

quarta-feira, 5 de março de 2014

"ROBOCOP" ( "ROBOCOP", 2014)

File:Robocop poster.jpg
Geralmente é complicado fazer refilmagens ("remakes") de filmes de sucesso ou de longas que se tornaram "cult" ou clássicos. É o caso de "Robocop". Parecia impossível fazer algo interessante sobre o herói, ainda mais se considerarmos que o primeiro longa tenha sido um grande filme - e de fato foi. Mas José Padilha, um diretor brasileiro em Hollywood, o mesmo de "Tropa de Elite",  parece que conseguiu o seu intento de fazer um filme brilhante com esse "Robocop" de 2014

O filme tem as mesmas premissas do original, mas conta a história de uma maneira diferente, principalmente se considerarmos que, no atual, o papel da esposa do homem que foi transformado em máquina é bem mais relevante. Ela tem um papel ativo, investindo constantemente no resgate do homem que sofreu transformações cibernéticas. É a cobiça e a ganância dos empresários contra o amor e a lealdade da família (mulher e filho).

O interessante do filme é a demonstração da dicotomia homem-máquina, da realidade dupla vivida pelo personagem - algumas vezes tem sentimentos, outras não. Por várias vezes, o herói tem que ser "desligado", para ser unicamente uma máquina sem sentimentos. 

A história, basicamente, é a mesma do filme de 1987, pelo menos quanto à premissa. Vítima de um atentado a bomba em seu carro, Alex Murphy perde quase que totalmente o seu corpo e os movimentos de seus membros. Assim, vira cobaia da indústria que quer porque quer fazer a vigilância das ruas e a contenção dos bandidos por meio de robôs. Um inescrupoloso personagem, vivido por Michael Keaton, ávido por lucros, busca incessantemente fazer com que o robô lhe dê ganhos. 

A ação desenvolve-se de maneira fantástica, sem ser repetitiva. Vibrante, o filme apresenta um Robocop implacável e ao mesmo tempo sentimental. Um herói que luta contra si mesmo, contra o seu próprio corpo artificial. 

Parece que José Padilha pavimentou seu caminho por Hollywood com essa película, que não decepciona nunca. Entrega muito bem o que propõe - ação e emoção em grandes doses. De tirar o fôlego.

Cotação: * * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim, embora nos EUA não tenha feito tanto sucesso.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

segunda-feira, 3 de março de 2014

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO ("12 YEARS A SLAVE", 2014)

File:12 Years a Slave film poster.jpgUm drama histórico, que retrata um período importante da história dos Estados Unidos. Estamos falando do grande vencedor do Oscar 2014, "12 Anos de Escravidão".  

A Academia resolveu eleger esse filme como o melhor de 2014 por seus méritos dramáticos. Não chega a ser uma história inovadora, ou mesmo inédita, mas as cenas fortes e cheias de impacto convenceram os eleitores do prêmio mais festejado e aguardado da sétima arte.

Particularmente, gostei do filme. Acho que poderia ser um pouco mais resumido mas, de maneira geral, a obra do diretor McQueen agrada os espectadores.

A atuação de Chiwetel Ejiofor, ator britânico especialista também em televisão e teatro, é simplesmente marcante. Ele imprime uma densidade dramática no personagem bastante convincente. Trata-se do negro Salomon Northrup, que era livre mas foi sequestrado por dois homens, sob o pretexto de um trabalho em Washington. Acorda acorrentado, com outro nome (Platt) e sem nenhuma perspectiva, a não ser o árduo trabalho de escravo, vivendo dessa maneira pelos doze anos que dão título ao filme. 

Não fossem os concorrentes de peso ao Oscar desse ano, certamente Chiwetel teria boas chances de levar o prêmio máximo do cinema. 

Tocante mesmo, no entanto, é a atuação da queniana Lupita Nyong´o. Ela faz Patsie, uma escrava que sofre vários abusos, principalmente de Edwin Epps, personagem este vivido com maestria por Michael Fassbender (que, aliás, é um ótimo ator e foi indicado ao Oscar de Coadjuvante, mas sem sucesso). Não se sabe ainda o futuro da atriz negra, mas ela demonstrou um bom talento, vivendo essa personagem interessante e marcante.

Como ponto negativo, destaco a pouca densidade dramática do reencontro de Salomon com sua família, doze anos depois. Não me pareceu muito convincente a emoção apresentada.

O filme é adaptado de um romance escrito pelo próprio Salomon ainda no século XIX. Ganhou, merecidamente, o Oscar de roteiro adaptado, o que demonstra coerência da Academia ao conjugar melhor filme e melhor roteiro adaptado.

Enfim, um bom filme dramático que venceu o Oscar, mas que não deve ser inesquecível e nem se tornará um clássico.

Cotação: * * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS

3 Oscars (Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante para Lupita e Melhor Roteiro Adaptado).

Globo de Ouro - Melhor Filme Dramático.

sábado, 1 de março de 2014

OSCAR 2014 - AS APOSTAS DO BLOG

Aqui estão as apostas do blog para o Oscar 2014. Vamos à lista (as apostas estão em azul):

Filme : 12 Anos de Escravidão.  Podem ganhar ainda "Trapaça" e "Gravidade".

Ator : Matthew MacConaughey (Clube de Compras Dallas).

Atriz: Cate Blanchett (Blue Jasmine).

Ator Coadjuvante: Jared Leto (Clube de Compras Dallas). Pode ainda ganhar o somaliano de "Capitão Phillips". 

Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong´o (12 Anos de Escravidão). Pode ainda ganhar Jennifer Lawrence, por "Trapaça".

Diretor : Alfonso Cuarón (Gravidade). Ainda pode ganhar David Russel, por "Trapaça".

Roteiro Original: Ela.

Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão.

Animação: Frozen.

Filme Estrangeiro: A Grande Beleza (Itália).

Canção: Mandela.

Fotografia: Gravidade.

Edição: Gravidade.

Design de Produção: O Grande Gatsby.

Figurino: O Grande Gatsby.

Trilha Sonora: Ela.

Efeitos Especiais: Gravidade.

Mixagem de Som: Gravidade.

Edição de Som: Gravidade.




domingo, 9 de fevereiro de 2014

"TRAPAÇA" ("AMERICAN HUSTLE", 2013)

File:American Hustle 2013 poster.jpgO grande favorito ao Oscar 2014 não é, definitivamente, um dos meus favoritos, nem como "melhor do ano", nem como um dos "melhores todos os tempos". Mas "Trapaça", a comédia de "golpes" e "falcatruas", parece estar fortemente cativando a Academia.

E muito do fascínio se deve à atuação do quarteto principal de atores - Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence.

A história é simples. Trata-se de dois vigaristas, Irving  (Bale) e Sidney (Adams),  que atuam no mercado vendendo obras de artes falsificadas, além de outros golpes. Certa feita, são surpreendidos por um agente do FBI, que passa então a tê-los sob domínio, e a fazer chantagens. Assim, o policial tenta cumprir seu objetivo de prender políticos sem escrúpulos, armando-se a partir daí novas confusões envolvendo ele e os dois vigaristas.

Não gostei do desenrolar da trama. O filme é arrastado, sem brilho. Enfim, sem uma narrativa que prenda a atenção do espectador. Parece um pouco filme de Scorsese, e acho até que seja mesmo uma homenagem ao diretor americano, mas não tem o mesmo ritmo das obras daquele mestre, a exemplo mesmo de "O Lobo de Wall Street". Alías, o "Lobo" foi lançado na mesma safra de "Trapaça" e nos apresenta também um vigarista profissional, só que no ramo da corretagem. Aqui, em "Trapaça", também há os vigaristas, mas a graça é bem menor. Não se sustenta como uma comédia de humor negro inesquecível.

O ponto positivo do longa é a atuação soberba dos atores principais e coadjuvantes, conforme já ressaltado linhas atrás. Bale está estupendo como Irving; Cooper demonstra a sua evolução como ator encarnando o agente do FBI; Adams como Edith/Sidney (a vigarista usava os dois nomes) está próxima da perfeição; e Jennifer Lawrence, como a histérica e engraçada esposa de Irving, demonstrando mais uma vez a sua ascensão na carreira. 

Outro ponto marcante é a estupenda trilha sonora.

David Russel vem caminhando bem em Hollywood, emplacando mais esse sucesso de crítica e de bilheteria. Embora ainda ache que ele já teve momentos mais felizes, a exemplo de "O Lado Bom da Vida".

Está mais fácil ser um "cult movie" que um "clássico", e assim poderá ser lembrado no futuro. Mas será um marco na carreira de alguns atores, como Bale, Adams, Cooper e Lawrence.


Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Vários.

Indicado a 10 Oscars; 

Ganhou 3 Globos de Ouro (Melhor Filme Comédia ou Musical; Melhor Atriz Comédia ou Musical para 
Amy Adams; Melhor Atriz Coadjuvante para  Jennifer Lawrence); 

Indicado a 10 BAFTAs.