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sábado, 2 de novembro de 2013

"GRAVIDADE" ("GRAVITY", 2013)

File:Gravity Poster.jpgCinema é, antes de tudo, a arte da magia, da inventividade, da criatividade. É a arte perfeita para fazer a imaginação do espectador fluir. E "Gravidade", de Alfonso Cuarón, é o grande lançamento do ano de 2013 nessa vertente que une, de maneira irretocável, diversão, magia e ficção. 

O filme tem uma história que é simples, mas ao mesmo tempo arrebatadora. Mexe com os sentimentos humanos, ao explorar, de forma contundente,  a linha tênue que separa a vida da morte, o instinto de sobrevivência e a possibilidade de desistência (ou melhor, a perspectiva do suicídio em meio ao caos e a falta de esperança).

O longa narra, em síntese, a história da pesquisadora Ryan Stone (Sandra Bullock) que, juntamente com Matt Kowalski (George Clooney), em plena missão espacial, descobrem que serão alvo de uma onda de destroços surgidos a partir de um choque de satélite. O que se sucede é a destruição completa da nave espacial (e a morte de todos os tripulantes, à exceção de Ryan e Matt) e a terrível situação dos astronautas à deriva no espaço sideral. Começa aí a luta pela sobrevivência, com diminuição do oxigênio, novas chuvas de detritos, incêndios,  dentre outras situações alarmantes.

Em matéria de efeitos especiais, temos a dizer que o filme é uma barbada no Oscar. Deve levar o prêmio máximo do cinema facilmente. É simplesmente uma revolução nesse quesito, com bastante inventividade. Inventividade que surgiu da necessidade causada pela própria película - as longas sequências levaram a equipe de produção à inovação no que concerne à filmagem da gravidade zero. Longas sequências sem cortes, aliás, que são espetaculares e um deleite para os cinéfilos, uma vez que permitem a todos viverem juntos com os personagens a aventura mirabolante.

Mas nem só de efeitos especiais vive "Gravidade". O longa tem amplas condições para concorrer em outras categorias, a saber, filme, direção, som (edição e mixagem) e, notadamente, melhor atriz. Sim. Melhor atriz. Em que pese as poucas palavras e a pouca liberdade de atuação, Sandra Bullock se desdobrou e esteve muito bem. Vale a pena premiar um trabalho tão árduo como o dela, cujo resultado final ajuda a entender a perfeição do filme. Vale aqui trazer à baila trecho da entrevista do diretor mexicano Cuarón à Veja, que ajuda a entender o sacríficio e o comprometimento dessa brilhante atriz:

"(VEJA) Também Sandra Bullock teve de enfrentar desafios técnicos e físicos em escala inédita para um ator, não?

(Cuarón) Seria impossível enumerá-los, mas vou tentar. Primeiro, a limitação dramática: como todos os movimentos de câmera estavam pré-programados, simplesmente não havia espaço para sequer tentar algo um pouco diferente. Sandra teve de desenvolver o personagem dentro de marcações duríssimas de tempo e de movimento. Depois, a solidão intensa. Na maior parte do tempo, Sandra ficava girando presa a uma armação, dentro de uma caixa preta iluminada conforme as exigências da cena, com as câmeras se movendo ao redor dela - é um dos recursos que bolamos para transmitir a sensação de que ela está flutuando. Como era muito difícil entrar e sair da armação, ela permanecia até dez horas ininterruptas dentro desse caixote. Tente aguentar dez minutos disso e depois me diga como se sentiu. Mas ainda não chegamos ao pior: para as cenas em que ela tem de se movimentar livremente em gravidade zero dentro da estação espacial, fizemos de Sandra literalmente uma marionete. Ela vestia placas de metal às quais ia presa uma dúzia de cabos - os quais eram manipulados por titereiros que vieram da montagem londrina da peça Cavalo de Guerra e robôs como esses usados na fabricação de automóveis. É um esforço inimaginável. Tentei - e em segundos já estava berrando para me tirarem dali. Sandra, porém, treinava as sequências até o ponto em que esse esforço se tornasse imperceptível e só a graciosidade do movimento no espaço restasse, para então se concentrar inteira na interpretação".

(REVISTA VEJA, edição 2.342, ano 46, nº 41, 9 de outubro de 2013, págs.124/125)

Assim, o filme já pode ser considerado um marco do cinema. O cinema da magia. Da imaginação. Da ficção. Do espetáculo e das cenas incríveis. Dos planos longos arrebatadores, que levam os espectadores a viajarem juntos com os atores. Da luta pela sobrevivência em meio ao caos e à falta de perspectiva. E, mais que tudo isso, da criatividade no .uso dos recursos materiais e humanos.

Enfim, um filme magistral. Um toque de mestre na história do cinema.

COTAÇÃO: * * * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum, por enquanto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"INTRIGA INTERNACIONAL" ("NORTH BY NORTHWEST", 1959)

Intriga Internacional - Ed. Especial - 2 DVDs - DVD4Alfred Hitchcock sempre dizia que o mistério é um processo intelectual, ao passo que o suspense é  emocional. Fato. E o mestre do suspense sabia realmente mexer com as emoções e os nervos dos espectadores. "Intriga Internacional" é um dos suspenses emblemáticos do mestre, e serve para provar isso.

Trata-se de um filme com um tema caro à Hitchcock: o homem errado. Cary Grant é Roger Thornihill, um playboy confundido por espiões com um agente da CIA de nome Kaplan que, na verdade, nunca existiu. Para isso, percorre todo os EUA (incluindo Chicago e Mount Rushmore) para provar sua inocência, fugindo dos espiões, notadamente Vandam, vivido por James Manson, e também da polícia. Nesse diapasão, encontra com uma misteriosa mulher, Eve Kendall, e envolve-se com ela.

A película revela a face kafkiana de Hitchcock, uma vez  que nos apresenta um personagem, Roger Tornhill (Cary Grant), absolutamente sem rumo, praticamente sem a menor possibilidade de sair do problema colocado. Ponto para o mestre, que realiza de maneira brilhante o intento de introduzir Kafka, o grande escritor tcheco, autor de "A Metamorfose", em sua obra-prima de suspense.

Cary Grant, vale destacar, está perfeito como Roger Thornhill. Mesmo em um filme de suspense, consegue ainda fazer rir, como na cena em que é preso por dirigir alcoolizado - na verdade, o herói foi embriagado pelos espiões, justamente para ser atirado ao mar!. Uma das mais engraçadas da história do cinema.

James Manson também está muito bem, assim como Eva Marie Saint como a misteriosa loira (embora não possuísse o glamour de uma Grace Kelly, a favorita de Hitchcock).

O filme pode parecer um pouco datado. Efeitos especiais que nos tempos atuais podem parecer fracos, talvez assustem um pouco a platéia hodierna. Outro detalhe que pode causar perplexidade a quem hoje assiste à película é justamente o fato de algumas cenas serem inverossímeis, a exemplo da escapada do herói da ONU, depois de supostamente assassinar um homem, ou mesmo a do Mount Rushmore (as gigantes esculturas de pedra em homenagem a ex-Presidentes americanos, como Lincoln e Theodore Roosevelt). Porém, diga-se e faça-se justiça: a cena do Mount Rushmore é um primor de suspense, com uma ótima trilha sonora envolvida.

Mas o fato de o cinquentenário filme ter algumas passagens discutíveis nos tempos atuais, não induz à percepção de que se trata de um filme fraco ou com deméritos. Pelo contrário, é um clássico, dos melhores da história do suspense.

Cinema é diversão, encantamento,  imaginação. Não precisamos nos prender à realidade quando estamos na sala escura. Devemos deixar a diversão fluir. E aí, Hitchcock é mestre. Sem perder a classe.

Cotação: * * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

TOP 100 - MELHORES THRILLERS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim. 

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias. Algumas cenas podem desagradar quem gosta de verossimilhança.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim. É sempre eleito um dos melhores suspenses de todos os tempos. E está na lista do AFI como um dos melhores filmes de todos os tempos.

PRÊMIOS: AFI´s TOP 100 melhores filmes de todos os tempos. Foi indicado a 03 Oscars, mas perdeu todos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"TITANIC" ("TITANIC", 1997)

File:Titanic poster.jpg15 de abril de 1912. Neste dia, há mais de cem anos atrás, uma dramática história coletiva de mortes e terror assombrou o mundo: o dito "inafundável" RMS Titanic, da White Star Line, navio que faria a rota Southampton - New York, submergiu, após uma colisão, no Atlântico Norte, contra um iceberg. Das 2.224 pessoas à bordo, somente 710 se salvaram,  restando  um saldo de 1514 mortos. O oceano congelado, a falta de botes salva-vidas para todos (foi dada, com acerto, preferência às mulheres e crianças), o estado de necessidade, o pouco tempo disponível para receber ajuda (o naufrágio ocorreu em menos de duas horas) e o desespero em lidar com a situação foram fatores que contribuíram decisivamente para o desastre.

O cinema sempre explorou esta incrível história, uma das maiores tragédias coletivas, em um único ato, diga-se, de todos os tempos.

Muitos filmes sobre o evento trágico foram feitos (1943 e 1953, além de uma série de TV), mas o maior, e melhor, de todos é justamente "Titanic", de 1997, dirigido por James Cameron, ganhador de 11 prêmios Oscar em 1997.

É um dos maiores sucessos da história do cinema - senão o maior - além de 11 Oscars, ganhou 04 Globos de Ouro e ainda é considerado uma das maiores bilheterias de todos os tempos (a segunda, só perdendo para Avatar, do mesmo diretor James Cameron). Custou 200 milhões de dólares e arrecadou mais de 2 bilhões de dólares em todo o mundo.

O Titanic de Cameron mescla personagens fictícios com alguns poucos personagens reais. Brilhante, trouxe de novo o glamour ao cinema, coisa que não se via desde os áureos tempos dos anos trintas e quarentas, em filmes como "E o Vento Levou", "Casablanca", dentre outros.

Em seus 194 minutos, o filme mescla romance, aventura, drama e até elementos de thriller. O roteiro primoroso conta a trágica história aliada a um romance entre uma mulher rica, Rose, vivida intensamente por Kate Winslet, e um passageiro da segunda classe, Jack, papel protagonizado com garra por Leonardo di Caprio (foi até indicado ao Oscar).  Para viver o grande amor, lutam contra o até então noivo da moça, vivido com grande força por Billy Zane, que faz um "vilão" absolutamente sem escrúpulos ou sentimentos - "Cal Hockley". Várias cenas do filme já se tornaram clássicas, além da famosa frase proferida por Jack (DiCaprio): "I´m the  king of the world" - "Eu sou o rei do mundo". 

O filme parte do pressuposto e da visão da narradora Rose, em idade centenária, vivida por Gloria Stuart, uma grande atriz, reconhecida com a indicação ao Oscar. Ela conta a "sua história" de amor e a tragédia, em uma linha narrativa em que aparece no início e no final do filme. Vale destacar que a aparição de Rose centenária no filme tem a ver com a pesquisa realizada pelo caçador de tesouros Brock Lovett (Bill Paxton), que estava à procura do diamante "Coração do Oceano", que pertencia àquela mulher quando do naufrágio da imensa embarcação. O diamante é carregado de simbolismo na história do filme, e Rose narra o romance para o caçador. É uma aparição marcante e emocionante, inclusive indicada ao Oscar daquele ano.

A reconstituição da época é perfeita. O navio é mostrado com riqueza de detalhes, com toda a pompa da primeira classe, e também todas as misérias da segunda e terceira classes.

Triste a constatação da preferência dada aos passageiros de primeira classe, fazendo com que os da segunda ficassem presos por um tempo enorme, vigiados e praticamente sem chances de escapar da tragédia. Segundo dados oficiais, enquanto mais de sessenta por cento dos passageiros da primeira classe escaparam da morte, apenas quarenta e um por cento da segunda e vinte e quatro por cento da terceira tiveram a mesma sorte.

O destaque da película fica por conta também dos espetaculares cenas com efeitos especiais e a forma como foram feitas - Cameron usou, inclusive, um imenso tanque nas gravações. Vale notar ainda a fotografia e o figurino.

A atuação dos atores é também estupenda. Leonardo Di Caprio está muito bem, assim como a novata, na época, Kate Winslet. Kate, aliás, que viria a ser consagrada como grande atriz em filmes posteriores. Gloria Stuart e Billy Zane também defendem muito bem seus papéis, conforme já ressaltado anteriormente.

Em 2012, homenageando o centenário do naufrágio, a película foi relançada, desta vez em 3D, tendência atual do cinema. "Titanic 3D", no entanto, não conseguiu registrar o mesmo apelo popular, ocorrido quando do lançamento em 1997. Mesmo assim arrecadou cerca de 300 milhões de dólares em todo o mundo.

FILME - Titanic 3D
Titanic 3D. Poster do filme.

Enfim, um filme em que o sucesso de bilheteria já diz muito. É o cinema como arte de encantamento e divertimento, no seu grau máximo.

Cotação: * * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim. A segunda maior da história.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Vários.

11 Oscars "Melhor Filme "(Cameron e Landau), "Melhor Diretor"(Cameron), "Melhor Trilha Sonora Dramática Original" (Horner), Melhor Edição (Buff IV, Cameron e Harris), Melhor Fotografia (Carpenter), Melhor Direção de Arte (Peter Lamont e Michael Ford), Melhor Figurino (Deborah L. Scott), Melhores Efeitos Visuais (Rob Legato, Mark A. Lasoff, Thomas L. Fisher e Michael Kanfer), "Melhor Edição de Som" (Tom Belfort e Christopher Boyes), "Melhor Som" (Rydstrom, Johnson, Summers e Ulano) e "Melhor Canção Original" (Horner e Jennings por "My Heart Will Go On"). Mais três indicações - Melhor Atriz (Kate Winslet e Glória Stuart) e Melhor Maquiagem.

04 Globos de Ouro --> "Melhor Filme - Drama", "Melhor Diretor" (James Cameron), "Melhor Trilha Sonora" e "Melhor Canção" ("My Heart Will Go On").

AFI´S (AMERICAN FILM INSTITUTE) - 100 MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS (n,º 83)

domingo, 27 de janeiro de 2013

"CÃES DE ALUGUEL" ("RESERVOIR DOGS", 1992)

File:Reservoir dogs ver1.jpg
Poster do filme. Em www.en.wikipedia.org
O primeiro filme dirigido por Quentin Tarantino é talvez o seu melhor: "Cães de Aluguel", de 1992.

O filme é tecnicamente  impecável. Brilhante.Tem um roteiro extremamente original, com a trama se desenvolvendo sob uma técnica bastante interessante, a da "narrativa entrecortada". A narrativa entrecortada caracteriza-se pelo uso constante dos "flashbacks" e de histórias de vários personagens em sequência.

Resumindo a história, o filme basicamente se restringe à discussão, em um armazém, sobre os acontecimentos relativos a um roubo em que a polícia já estava preparada  (rapidez da resposta ao alarme), perpetrado pelos tais "cães", que tinham nomes de cores (Mr. Pink, Mr. Blue, etc), mas não sabiam o nome um do outro.

Vale destacar, o roubo em si (a ação do roubo, diga-se), é o que menos importa. Para o filme, o que vale é a narrativa de cada um dos bandidos, em uma reunião após a frustração da empreitada, para que se descubra qual deles é o traidor - o que sugeriu à polícia que naquela joalheria ocorreria algo. Nisso, surgem várias histórias em "flashbacks", assassinatos, torturas, violência e mais violência.

Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Chris Penn e Steve Buscemi seguram bem as pontas, com ótimos trabalhos. Como disse sabiamente a crítica de cinema Isabela Boscov certa vez, os gangsteres aqui, com seus interessantes apelidos - Mr. Blonde, Mr. Pink, etc - entraram para a cultura pop. Nada mais correto. Mais um ponto para Tarantino.

É, definitivamente, um filme para poucos. Por que ? Primeiro, pelas dificuldades que a narrativa apresenta, sendo bastante incomum. Segundo, pela violência. Sim, a violência, tão presente nos filmes de Tarantino, vem aqui em doses fortes. E para quem tem estomâgo forte.

Mas é um clássico moderno. Um dos melhores filmes dos anos 90, para se ver e rever. E para aplaudir de pé. Uma grande realização. Um iniciante, uma aula de cinema, uma obra-prima.

Cotação: * * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE AÇÃO DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias. O filme é difícil, tem narrativa entrecortada e pode ser entendiante para quem busca tão-somente diversão.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"O BEBÊ DE ROSEMARY" ("ROSEMARY´S BABY, 1968)

File:Rosemarys baby poster.jpg
Poster do filme. Em www.en.wikipedia.org
O melhor filme de Roman Polanski é, também, um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Trata-se de "O Bebê de Rosemary", estrelado por Mia Farrow e John Cassavetes.

O filme é um terror psicológico dos mais interessantes. Nele, uma autêntica "confraria do diabo", ou seja, um conjunto de pessoas que tinha pacto com o demônio,  prepara um anticristo, que nasceria da escolhida Rosemary.  Para isso, usam e abusam de artimanhas, incluindo um médico especialmente contratado, uso de pílulas dopantes, etc.

O que se vê durante o filme é uma tensão crescente. Uma atônita Rosemary passa a descobrir que seu filho que está para nascer é, na verdade,  o satã em pessoa.

Tecnicamente perfeito, o filme também traz grandes atuações. Destaque para Mia Farrow, casada à época com Frank Sinatra. A transformação da atriz durante a projeção do longa é digna de nota. Com o passar do tempo, a insanidade toma conta dela. Dizem que, por causa do filme, Sinatra pediu divórcio de Mia.
Baseado no best-seller "A Semente do Diabo", de Ira Levin.

Um filme macabro. Bem ao gosto dos fãs do gênero! Curiosidade: foi filmado no famoso edifício Dakota, o mesmo em que John Lennon foi assassinado, em  Nova Iorque.

Enfim, um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, para ser visto e revisto, sempre com o mesmo e fundamental prazer!

Cotação: * * * * *

TOP 100 - MELHORES THRILLERS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS

01 Oscar - "Melhor Atriz Coadjuvante" (Ruth Gordon). Indicado ainda para "Melhor Roteiro Adaptado".

01 Globo de Ouro - "Melhor Atriz Coadjuvante" (Ruth Gordon) . Indicado ainda em três outras categorias, incluindo "Melhor Atriz" (Mia Farrow).

Crítica 29

domingo, 16 de setembro de 2012

"CASABLANCA" ("CASABLANCA", 1942)

File:Casablanca, title.JPGO melhor filme de Hollywood de todos os tempos. Um dos melhores romances da história. A maior química romântica entre uma dupla de atores. Tudo isso é dito quando se traz à discussão "Casablanca", filme de 1943, dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

E, convenhamos, o clássico faz mesmo jus à fama.

É simplesmente perfeito. E o curioso: surgiu da imperfeição. Segundo relatos históricos, tudo foi feito às pressas na época: roteiro, escolha do elenco, escolha do diretor.

Mas tudo acabou dando certo, comprovando que, muitas vezes, o cinema é a arte do acaso.

A história se passa em plena Segunda Grande Guerra, na cidade marroquina de Casablanca. Ali estava instalada uma possessão da "França de Vichy", nome dado ao governo fantoche francês, eis que uma extensão do poder da Alemanha de Hitler, que havia ocupado a França entre 1940-1944. Humphrey Bogart é Rick, dono de um bar que recebia desde soldados alemães até refugiados que desejavam desesperadamente por chegar ao Novo Mundo (a América). Rick, um dia, recebe de um homem (Ugarte, interpretado por Peter Lorre), duas cartas de trânsito, o equivalente a vistos para que qualquer pessoa pudesse chegar à América. Mal sabia Rick que as duas cartas poderiam ajudar uma ex-amante sua, Ilsa, interpretada por Ingrid Bergman, por quem nutria um amor incondicional,  e seu marido espião, a fugir para Lisboa e chegar ao novo continente. A partir daí, uma sucessão de situações e encontros amorosos entre a dupla central acontecem, até o desfecho final.

O elenco excepcional, incluindo os coadjuvantes, ajuda a elevar o nível do filme. Ademais, o roteiro, simplesmente perfeito e bem coordenado, teve uma merecida condecoração do "Academy Awards", conhecido no Brasil como Oscar. Aliás, o filme ganhou outras duas estatuetas: melhor filme e melhor diretor - Michael Curtiz.

Destaque para a beleza da sueca Ingrid Bergman. Considero-a a atriz hollywoodiana mais linda de todos os tempos, talvez dividindo o primeiro posto com a magnífica Grace Kelly. Especialmente neste filme, Bergman está no auge de sua beleza. 

Vale salientar ainda a espetacular trilha sonora do filme, incluindo a clássica "As Time Goes By", que ajudou a embalar o romance, tumultuado por vezes, da dupla Rick (Bogart) e Ilsa (Bergman). Curiosamente, a música tema do filme não era inédita, daí a impossibilidade de concorrer ao Oscar - foi lançada em 1931, mais de uma década antes.

Assim, não é sem razão que o filme esteja nas listas dos melhores de todos os tempos. Vale a pena sempre revisitá-lo! Um prazer inesgotável para os cinéfilos!

Cotação: * * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

TOP 100- MELHORES ROMANCES DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS:   03 Oscars - "Melhor Filme", "Melhor Diretor" (Michael Curtiz) e "Melhor Roteiro" , mais 04 indicações ("Melhor Ator", "Melhor Ator Coadjuvante", " Melhor Montagem", "Melhor Música).

Crítica 25

"E O VENTO LEVOU" ("GONE WITH THE WIND", 1939)

Olá!

File:Poster - Gone With the Wind 01.jpg
Poster do filme. Em www.en.wikipedia.org
A resenha de hoje é sobre o mais emblemático dos filmes hollywoodianos: "E o Vento Levou", de 1939, produzido por David Selznick, baseado no romance homônimo  de Margareth Mitchell.

A película ganhou 8 oscars, dentre eles, de filme, direção e atriz- para Vivien Leigh. Aliás, Vivien, perfeita no papel de Scarlett O´Hara, nem era a mais cotada para o papel - Paulette Goddard era uma das favoritas. No entanto, a belíssima e charmosa atriz conseguiu o mais marcante papel de sua carreira - e, porque não, o mais famoso papel feminino de todos os tempos.

O filme ainda hoje desperta paixão no mundo inteiro, justamente pela sua história épica, bastante romanceada, mas ao mesmo tempo dramática.  Dramática porque invoca um duro período da história americana - a "Guerra de Secessão", que envolveu os ianques do Norte ( região industrializada) frente aos confederados do Sul (economia de base agrária e escravocrata). A história, e o filme, mostra o massacre protagonizado pelos ianques (a chamada "União"), causando morte e destruição aos sulistas.

A partir da guerra, que simplesmente aniquilou o sul, uma sucessão de eventos desastrosos começa a ocorrer na vida de Scarlett O´Hara, sulista e proprietária da fazenda "Tara". No lado financeiro, viu-se obrigada a se casar várias vezes por dinheiro, para cobrir as despesas crescentes com sua fazenda Tara; no lado pessoal, muitos encontros e desencontros com o amor de sua vida (que ela demorou demais a descobrir!), Rhett Butler, além de algumas tristes tragédias.

Enfim, o filme é magnífico. Tudo é superlativo. A trilha sonora, de Max Steiner,  ainda hoje famosa; os figurinos; a direção de arte; e, até mesmo, os efeitos visuais, bastante interessantes para a época.

Os atores parecem perfeitos para os respectivos papéis. Impressionante o carisma de Vivien Leigh na interpretação de Scarlett O´Hara, uma mulher forte, de personalidade, mas ao mesmo tempo com uma carência de afetividade enorme. Destaque também para Olivia De Havilland, que ganhou uma merecida indicação ao oscar na época pela interpretação de Melanie,  e para Hattie McDaniel, que interpretou a empregada de Scarlett O´Hara com intensa sensibilidade. Clark Gable se saiu bem também como o carismático Rhett Butler, mas levou apenas a indicação ao prémio máximo do cinema.

Curiosidade: a famosa trilha sonora não levou o "Academy Awards", mas até hoje é lembrada. Mais uma injustiça da Academia, como tantas outras (Chaplin, Hitchcock, etc).

Um dos melhores filmes de todos os tempos, um dos maiores clássicos da história do cinema, ainda hoje cultuado, " E o Vento Levou" é para se ver e rever. Sempre com o mesmo entusiasmo.

Cotação : * * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

TOP 100 - MELHORES ROMANCES DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: 08 Oscars - "Melhor Filme", "Melhor Diretor" (Victor Fleming), "Melhor Atriz" (Vivien Leigh), "Melhor Roteiro Adaptado" , "Melhor Atriz Coadjuvante" (Hattie McDaniel), "Melhor Montagem", "Melhor Edição", "Melhor Direção de Arte". Ainda concorreu em 04 outras categorias.

Crítica 24

domingo, 27 de maio de 2012

"LUZES DA CIDADE" ("CITY LIGHTS", 1931)

Charles Chaplin é, sem dúvida, um dos maiores nomes da história do cinema. Seus filmes, em sua maioria mudos, são a mais pura expressão de arte que a sétima arte já produziu. E "City Lights" ("Luzes da Cidade"), rodado em 1931, é uma de suas maiores obras-primas.

O enredo é simples, porém carregado de sentimentalismo. Nele, um vagabundo (Carlitos, claro), apaixona-se por uma florista cega. O que se sucede são cenas geniais, e engraçadíssimas, do vagabundo na sua incessante busca por ajuda no tratamento da cegueira de sua amada. Para isso, conta com a "amizade" de um milionário bêbado que, quando sóbrio, parece não se lembrar de Charlie...

Um dos maiores  filmes de todos os tempos, "Luzes" irradia perfeição do início ao fim. Aliás, dizem os historiadores da vida de Chaplin que o perfeccionismo era a sua marca registrada. Relatam, inclusive, que Charlie refilmou centenas de vezes algumas cenas do filme, em busca da sempre utópica cena perfeita.

Algumas cenas clássicas entraram para a história do cinema, a exemplo de Carlitos em uma noite de boxe, com o objetivo de juntar dinheiro para curar o mal da amada. A criatividade das cenas impressiona. A sua amizade com o bêbado milionário rende também momentos divertidíssimos, muito embora a relação gere mais solidão e tristeza que propriamente alegria para Carlitos.

O final,  emocionante, é tido por muitos como um dos melhores, e mais bonitos, da história do cinema.

Lirismo, risos, cenas geniais. Enfim, um dos melhores Chaplin e, por isso, um dos melhores filmes de todos os tempos. Para ver e rever, sempre com o mesmo prazer. 

Cotação: * * * * *

TOP 100- MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

TOP 100 - MELHORES COMÉDIAS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim. 

PRÊMIOS: Nenhum, embora tenha sido laureado como um dos melhores filmes de todos os tempos em várias escolhas da crítica especializada.

Crítica 11