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sábado, 22 de agosto de 2020

UM SONHO DE LIBERDADE ("THE SHAWSHANK REDEMPTION", 1994)

 

É, no mínimo curioso, um filme não fazer sucesso no cinema e, tempos depois, ser aclamado pelo público como um dos filmes preferidos em seu imaginário. É o que ocorreu com "Um Sonho de Liberdade" (The Shawshank Redemption"), filme baseado em um conto ("Rita Hayworth and The Shawshank Redemption") do livro "Quatro Estações", de Stephen King. Curiosamente,King é mais conhecido pelos seus livros de terror que geraram adaptações cinematográficas -  "It" ("A Coisa"), "Christine", "Cujo", "Cemitério Maldito", entre outras ou por obras que exibem alguma temática de fantasia, como "À Espera de Um Milagre"; em  "Um Sonho de Liberdade", o que se vê é um drama que poderia ser uma história real.

Shawshank Redemption é um filme de prisão. Mas é, principalmente, uma ode à amizade e à esperança. Como gênero, conforme já explicado anteriormente, apresenta-se como um drama, centrado na figura de dois presidiários que desenvolvem uma relação amigável: Andy Dusfrene, interpretado por Tim Robbins, acusado e preso injustamente por dois assassinatos que não cometeu; e Red, brilhantemente interpretado por Morgan Freeman, um presidiário. Além dos dois, uma figura de destaque é o vilão da trama Norton, o Diretor da Penitenciária Shawshank, corrupto e sem escrúpulos, que explora a inteligência de Andy em benefício próprio.

A redenção do título original aparece  na parte final, sendo de se ressaltar que o maior problema do filme é a sua longa duração, principalmente na primeira hora de projeção, com cenas que poderiam muito bem ser sintetizadas ou mesmo suprimidas. Obras dramáticas baseadas em Stephen King parecem sempre ter essa sina de se arrastar em alguns pontos do roteiro...

 As atuações de Morgan Freeman e Tim Robbins são boas, mas não ao ponto de render premiações, como de fato ocorreu.  A direção, segura, que não compromete, é de Frank Daranbont, que fez várias adaptações de Stephen King para o cinema, entre elas o aclamado "A Espera de Um Milagre" ("The Green Mile").

Algumas curiosidades sobre o filme: a icônica árvore das cenas finais do filme foi destruída, posteriormente, por forças da natureza: primeiro, um raio a partiu pela metade; depois, fortes ventos a derrubaram definitivamente. Ali havia intensa peregrinação de fãs do filme. Outra curiosidade que marca o filme tem a ver com a sua popularidade: é o filme com melhor cotação no Internet Movie Database (IMDb), que traz as opiniões de usuários de todo o mundo. É considerado, também, um filme que agrada todos os públicos, dos jovens aos idosos, ao contrário, por exemplo, de "E o Vento Levou", que costuma agradar somente os mais velhos e "Pulp Fiction", de Tarantino, que agrada sobretudo os mais jovens.

É um bom drama, muito embora não concordamos com toda a fama que o público costuma dar a essa obra.

Cotação: ***1/2 ( bom)

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim. É o filme número 1 do IMDb.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS:  Foi indicado a 7 Oscars (Filme, Ator-Morgan Freeman, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original e Som), mas não levou nenhum prêmio. 
 
100 Melhores Filmes pelo American Film Institute (AFI): 72ª posição.

segunda-feira, 3 de março de 2014

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO ("12 YEARS A SLAVE", 2014)

File:12 Years a Slave film poster.jpgUm drama histórico, que retrata um período importante da história dos Estados Unidos. Estamos falando do grande vencedor do Oscar 2014, "12 Anos de Escravidão".  

A Academia resolveu eleger esse filme como o melhor de 2014 por seus méritos dramáticos. Não chega a ser uma história inovadora, ou mesmo inédita, mas as cenas fortes e cheias de impacto convenceram os eleitores do prêmio mais festejado e aguardado da sétima arte.

Particularmente, gostei do filme. Acho que poderia ser um pouco mais resumido mas, de maneira geral, a obra do diretor McQueen agrada os espectadores.

A atuação de Chiwetel Ejiofor, ator britânico especialista também em televisão e teatro, é simplesmente marcante. Ele imprime uma densidade dramática no personagem bastante convincente. Trata-se do negro Salomon Northrup, que era livre mas foi sequestrado por dois homens, sob o pretexto de um trabalho em Washington. Acorda acorrentado, com outro nome (Platt) e sem nenhuma perspectiva, a não ser o árduo trabalho de escravo, vivendo dessa maneira pelos doze anos que dão título ao filme. 

Não fossem os concorrentes de peso ao Oscar desse ano, certamente Chiwetel teria boas chances de levar o prêmio máximo do cinema. 

Tocante mesmo, no entanto, é a atuação da queniana Lupita Nyong´o. Ela faz Patsie, uma escrava que sofre vários abusos, principalmente de Edwin Epps, personagem este vivido com maestria por Michael Fassbender (que, aliás, é um ótimo ator e foi indicado ao Oscar de Coadjuvante, mas sem sucesso). Não se sabe ainda o futuro da atriz negra, mas ela demonstrou um bom talento, vivendo essa personagem interessante e marcante.

Como ponto negativo, destaco a pouca densidade dramática do reencontro de Salomon com sua família, doze anos depois. Não me pareceu muito convincente a emoção apresentada.

O filme é adaptado de um romance escrito pelo próprio Salomon ainda no século XIX. Ganhou, merecidamente, o Oscar de roteiro adaptado, o que demonstra coerência da Academia ao conjugar melhor filme e melhor roteiro adaptado.

Enfim, um bom filme dramático que venceu o Oscar, mas que não deve ser inesquecível e nem se tornará um clássico.

Cotação: * * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS

3 Oscars (Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante para Lupita e Melhor Roteiro Adaptado).

Globo de Ouro - Melhor Filme Dramático.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"HANNAH ARENDT" ( "HANNAH ARENDT", 2013)



File:Hannah Arendt Film Poster.jpg
Hannah Arendt. Um nome que entrou para a história da filosofia, principalmente depois da publicação de seus dois livros mais famosos, a saber, "As Origens do Totalitarismo" e "A Condição Humana". Uma mulher à frente de seu tempo. Uma visionária. É essa Hannah que dá ensejo ao filme da alemã Margarethe Van Trotta, lançado em 2013. 

A história retrata apenas um episódio da vida de Hannah, mais precisamente o julgamento, realizado em Jerusalém, do nazista Adolf Eichmann, um dos mentores do holocausto. Assim, como correspondente da New Yorker, Hannah escreve artigos polêmicos, considerando Eichmann um burocrata cumpridor de ordens, não um demônio como queriam fazer crer os judeus. Tal fato gerou revolta dos judeus para com a filósofa, que também era judia. E intensos dissabores, nunca antes enfrentados por ela, sempre respeitada por seus escritos.

O filme traz, em flashback, algumas passagens da vida de Hannah, como, por exemplo, o seu envolvimento, tanto no nível de ideias como no sentimental, com o filósofo Martin Heidegger. Heidegger que, diga-se de passagem, também sofreu intensa reprimenda por suas ligações com o nacional-socialismo. Mas são poucas as cenas. A diretora e o roteirista deveriam ter explorado mais o passado da escritora, cheio de significados e importância.

A atriz Barbara Sukowa está muito bem no papel, assim como os atores e atrizes coadjuvantes. Não interferem no resultado final.

Vale destacar que Hannah Arendt  não é, nem nunca foi, defensora do nazismo, embora possa parecer para quem não conhece a história desta importante filósofa. Inclusive há de se destacar que o regime hitlerista cassou sua cidadania alemã, deixando-a apátrida até que os Estados Unidos (Nova Iorque) a acolhesse.

"Hannah Arendt" é um bom filme, diga-se. Mas peca, talvez, pelo ritmo lento, tornando-se, em muitos momentos, enfadonho e cansativo. Várias cenas são desnecessárias e repetitivas, como as que a atriz principal aparece fumando compulsivamente.

Vale destacar a última cena do filme, um discurso de Hannah perante uma grande plateia universitária. Fantástica e vibrante.

Enfim, vale ver o filme  para conhecer um pouco mais a história desta fascinante filósofa dos tempos modernos.

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim, mas há controvérsias.

PRÊMIOS: Nenhum.

terça-feira, 28 de maio de 2013

"SOMOS TÃO JOVENS" (2013)

Ficheiro:Somos Tão Jovens.jpg A década de 80 sempre me traz à mente grandes recordações. E o filme "Somos Tão Jovens" vem justamente suprir uma merecida lacuna relativa a essa época: render homenagem a um dos maiores nomes do rock nacional de todos os tempos - Renato Russo.

E a homenagem sai de uma maneira justa, embora com um pouco de superficialidade. Superficialidade que talvez possa ser apenas uma impressão, dado o tamanho do personagem e todo o manancial de enredo que ele pode gerar. Mas fica sempre uma ponta de quero mais, uma vontade enorme do público de querer saber mais da origem das brilhantes músicas que o gênio de Brasília compôs, e também conhecer um pouco mais acerca dos outros membros da banda (principalmente Bonfá e Villa-Lobos).

O filme conta a história de Renato Russo a partir da sua formação musical na capital federal. Do início, sob a influência punk, cantando em garagens e festinhas, até a fase do rock nacional, e a famosa apresentação no "Circo Voador" do Rio de Janeiro, o filme perpassa por momentos interessantes da vida do músico, principalmente no que tange a amizade de Russo com Aninha. É justamente essa amizade que gera os momentos mais emocionantes e tocantes da película.

A caracterização do ator Thiago Mendonça é praticamente perfeita. Parecidíssimo com o cantor e compositor, ele ainda canta algumas canções de uma maneira bastante convincente. O elenco de apoio, afinado e simpático, ajuda a compor bem o filme.

Mas o melhor mesmo é a trilha sonora. O Legião Urbana é, sem sombra de dúvidas, a melhor banda de rock nacional de todos os tempos. E algumas das melhores baladas da época são de autoria de Renato Russo, a exemplo de "Será", "Eduardo e Mônica", "Geração Coca-Cola", "Faroeste Caboclo", dentre outras.

Um bom filme nacional. Palmas para um gênio. Palmas para Renato Russo. 

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

"A DAMA DE FERRO" ("THE IRON LADY", 2011)


File:Iron lady film poster.jpgMeryl Streep tem o maior número de indicações ao Oscar nas categorias de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante – foram 17 (dezessete) no total, ganhando 03  (três). De fato, todas as indicações e prêmios são merecidos. É uma grande atriz. Porém, a sua atuação mais soberba é mesmo este “A Dama de Ferro”, no qual a magnífica dama do cinema interpreta Margareth Thatcher, a fantástica primeira-ministra inglesa, que exerceu o poder nas terras britânicas entre 1979 e 1990.

O filme é quase um documentário. Mas o interessante é que usa de um recurso pouco usual: coloca uma Margareth quase demente conversando com seu finado marido. Às vezes ela espanta o fantasma, outras vezes não. Mas o fato é que a narrativa é entrecortada por isso. Mas isso não atrapalha o produto final. Até dá um toque interessante.

O filme perpassa todos os momentos importantes vividos pela “Dama de Ferro”, a saber, a questão das Malvinas, a queda do Muro de Berlim, o seu auge e sua queda. Muitos gostam da figura (o meu caso), outros nem tanto, outros nada. Mas uma coisa é certa: trata-se de uma das maiores lideranças femininas da história da humanidade. Uma mulher de convicções e de uma sólida opinião que, para muitos, foi a melhor liderança britânica pós Winston Churchill.

Assim, a película não está a altura da personagem, grandiosa e inteligente. Porém, a atuação soberba de Meryl Streep sim. Aplausos para ela!

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Não

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, pela qualidade da atuação de Meryl Streep.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim, pela qualidade de atuação de Meryl Streep.

PRÊMIOS:  Vários.

Oscar, Globo de Ouro e Bafta de Melhor Atriz para Meryl Streep

Oscar de Melhor Maquiagem.


sábado, 13 de abril de 2013

"A GAROTA" ("THE GIRL", 2012)

File:The-girl.jpgAlfred Hitchcock parece que está em moda. Além do lançamento de uma produção que mostra os bastidores de Psicose ("Hitchcock", 2012), a HBO, em parceria com a BBC, lançou este "A Garota" ("The Girl").

Trata-se da história de uma suposta obsessão do famoso diretor por uma de suas loiras, mais precisamente Tippi Hedren, que é a mãe de Melanie Griffith.

O filme mostra um lado supostamente bastante violento da personalidade de Hitch, chegando ao cúmulo de relatar uma cena em que ele praticamente estupra Hedren. O que se pode dizer das cenas apresentadas é que o diretor abusou moralmente e sexualmente da loira, pelo menos em tese.

Ocorre que o diretor não está aqui para contestar a versão. Assim, não se deveria levar às telonas (ou às telas de TV, intuito do filme) uma história unilateral como esta.

Outro detalhe digno de nota é o fato de que a loira realizou dois filmes com o mestre - "Os Pássaros" e "Marnie". O filme relata que os supostos abusos começaram intensos já na filmagem de "Os Pássaros". Assim, fica a pergunta: Por que a loira ainda realizou outro filme com o mestre? Por que continuou a trabalhar com ele, sofrendo tantos abusos?É, sem dúvida, um fator complicador da versão unilateral apresentada.

Mais uma falha do filme: ao final, falam que "Marnie" foi o último grande trabalho do mestre, o que é falso. Primeiro, por que "Marnie" não foi um grande filme do diretor, muito menos um sucesso de crítica; segundo, porque "Frenesi" foi uma obra-prima realizada três filmes depois de "Marnie". 

Some-se a isso uma caracterização absolutamente ridícula de Hitchcock por Toby Jones (que curiosamente foi indicado ao Globo de Ouro, na categoria filmes para televisão) e uma atriz que nada se parece com a Hedren verdadeira (Sienna Miller, também indicada ao Globo de Ouro), e o fracasso da produção HBO/BBC fica ainda mais escancarado.

Portanto, um filme de extremo mau gosto e nada memorável. Para quem é curioso pela suposta história, vale a visita.

Cotação: BOMBA

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: Nenhum.

sexta-feira, 22 de março de 2013

"A BUSCA" (2013)

Wagner Moura é um ator de novelas que se notabilizou no cinema brasileiro a partir do grande sucesso que foi "Tropa de Elite" ("Capitão Nascimento"), nas suas duas versões: a primeira (* * *) e a segunda (* * 1/2). Sucesso de bilheteria , e de qualidade (notadamente o primeiro), que ele nunca mais conseguiu igualar em seus trabalhos posteriores (pelo menos por enquanto, diga-se). É o que acontece neste "A Busca", um filme com grandes limitações.

"A Busca" conta a história de uma família em crise (brigas, separação conjugal, desentendimentos com relação à educação do filho, etc). Após viver momentos tensos, o filho do casal (Pedro) decide fugir de casa. E aí começa a tal busca, principalmente por parte de Theo, pai de Pedro e personagem de Wagner Moura. E se sucedem momentos engraçados - como o do desespero de Theo ao furtar um telefone de um cardíaco ou mesmo quando se atracou com um rapaz que havia trocado de camisa com seu filho - até momentos dramáticos - sem, é claro, a intensidade característica deste tipo de filme. Poderíamos ainda pensar no filme em um sentido figurado, em uma busca interior pelo seu próprio "eu", notadamente pelo personagem do Wagner Moura,  mas isso não é explorado a fundo na película.

O elenco de apoio também não ajuda. Uma apagada Mariana Lima faz Branca, uma esposa e mãe pouco dedicada a Theo e Pedro. Até que a atriz se esforça para realizar com dignidade o papel, mas não consegue. O mesmo se pode dizer do insosso filho Pedro, que não reflete uma boa atuação nem no gestual, muito menos na fala. Há ainda uma pequena participação de Lima Duarte, como o avô de Pedro, sem brilho algum também.

Resta apenas um Wagner Moura que luta para segurar o filme. E por vezes até consegue. Mas não sem correr risco de cair no ridículo em algumas situações.

O roteiro beira o previsível e é banal. Vale ainda dizer que a descoberta final é apenas o coroamento da decepcionante história do filme.

Enfim, a película é apenas  um passatempo descompromissado.

COTAÇÃO: * 

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: Nenhum.

domingo, 6 de janeiro de 2013

"À PROCURA DA FELICIDADE" ("THE PURSUIT OF HAPPINESS", 2006)

File:Poster-pursuithappyness.jpgUma grande lição de vida. O ator perfeito para o papel. Uma criança que desempenha bem um papel complicado. Eis alguns dos ingredientes de "À Procura da Felicidade" , um dos grandes sucessos de 2006.

Merecidamente, Will Smith ganhou uma indicação ao Oscar de 2006 ao interpretar Chris Gardner. Aliás, é difícil Smith não agradar ao público em geral- é um ator habilidoso e carismático.

O filme é baseado em uma história real. Conta todas agruras vividas por Chris Gardner, um homem que, a princípio, estava falido, cheio de dívidas e com um criança para cuidar sozinho mas que, com fé e determinação, conseguiu superar todos os obstáculos, transformando míseros 21 dólares em uma fortuna de mais de 600 milhões.

O filho de Smith na vida real, Jaden Smith, tem uma atuação tocante como filho também na película - fez o papel de Christopher. O menino desempenha um papel emocionalmente complicado, já que, além dos problemas de seu pai, teve que conviver com o distanciamento da mãe. Empresta um carisma ao personagem difícil de se notar em atuações de crianças. Tudo sempre ao lado de Chris Gardner na, às vezes terrível, às vezes gratificante,  jornada rumo à felicidade.

O filme tem algumas cenas engraçadas, outras tocantes, mantendo a atenção do espectador. Peca um pouco pelo excesso de tempo para contar a história.

A película foi dirigida por um italiano, Gabriele Muccino (diretor de "O Último Beijo", de 2001).

É um filme ideal para motivar as pessoas, tem uma belíssima mensagem positiva e agradará certamente em cheio as platéias interessadas em um bom entretenimento.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOSNenhum dos mais relevantes. Will Smith foi indicado ao Oscar de "Melhor Ator" 2006 e também ao Globo de Ouro de "Melhor Ator" 2006.

sábado, 10 de novembro de 2012

"TYSON" ("TYSON", 2008)

File:Tysonfilmposter.jpgUm documentário extremamente interessante nos revela uma faceta mais humana daquele que foi uma das maiores lendas da história do boxe: Mike Tyson.

O "Iron Man" (Homem de Ferro), que sabidamente conta com uma história interessante, merecia um documentário à altura de sua lenda, e conseguiu. O primeiro filme sobre Tyson, da HBO, de 1995, também foi um bom filme (* * *), embora menos profundo que este.

A história do lendário lutador é mesmo um drama. Retirado do submundo do crime pelo mentor Cus D´Amato, Tyson começou a trilhar o sucesso nos campeonatos amadores até que, em 1986, destruiu no segundo assalto o até então campeão mundial dos peso-pesados Trevor Berbick. Seu mentor nem mesmo chegou a ver este sucesso. E a perda de Cus foi significativa para o que viria pela frente para a fera. Envolvimento com mulheres o levaram à bancarrota, tanto financeira, quanto esportivamente. O que se viu foi uma progressiva decadência do imbatível "Iron Man", até a sua primeira derrota, para o inexpressivo "Buster" Douglas e a prisão, em decorrência de suposto estupro praticado contra a jovem Desiree Washington.

O enredo é narrado pelo próprio Tyson que, no auge de sua sinceridade, torna mito alguns - a exemplo de Cus D´Amato e torna monstro outros - a exemplo de Don King, o inescrupuloso empresário de boxe.

Também o filme mostra o porquê de um dos episódios mais memoráveis de sua carreira - a mordida na orelha de Holyfield, na segunda luta entre os dois. Aliás, foram duas mordidas. A explicação de Tyson, que é também facilmente visualizável nas lutas: as cabeçadas dadas pelo "Real Deal". Holyfield usou e abusou de uma tática suja, para minar a resistência de Tyson, porque só assim poderia vencer. E Tyson, num acesso de fúria (dentre tantos outros que teve na vida), resolveu revidar. Não que isso justifique, mas sim ajuda a explicar.

Conta ainda outras curiosidades sobre o astro, como, por exemplo, a origem de sua tatuagem no rosto - homenagem aos maoris neozelandeses; a mudança de religião durante o período em que esteve preso; dentre outras tantas.

Enfim, Tyson é um personagem de que realmente tenho muito para falar, já que foi um dos meus ídolos no esporte - não na vida, diga-se. Considero firmemente que, se tivesse mais cabeça, Tyson poderia ser um dos três maiores pugilistas da história. Mas o seu exemplo de auge e decadência pode mostrar aos mais jovens algumas liçoes importantes, para que não cometam os mesmos erros.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 32

"TYSON" ("TYSON", 2008)

File:Tysonfilmposter.jpgUm documentário extremamente interessante nos revela uma faceta mais humana daquele que foi uma das maiores lendas da história do boxe: Mike Tyson.

O "Iron Man" (Homem de Ferro), que sabidamente conta com uma história interessante, merecia um documentário à altura de sua lenda, e conseguiu. O primeiro filme sobre Tyson, da HBO, de 1995, também foi um bom filme (* * *), embora menos profundo que este.

A história do lendário lutador é mesmo um drama. Retirado do submundo do crime pelo mentor Cus D´Amato, Tyson começou a trilhar o sucesso nos campeonatos amadores até que, em 1986, destruiu no segundo assalto o até então campeão mundial dos peso-pesados Trevor Berbick. Seu mentor nem mesmo chegou a ver este sucesso. E a perda de Cus foi significativa para o que viria pela frente para a fera. Envolvimento com mulheres o levaram à bancarrota, tanto financeira, quanto esportivamente. O que se viu foi uma progressiva decadência do imbatível "Iron Man", até a sua primeira derrota, para o inexpressivo "Buster" Douglas e a prisão, em decorrência de suposto estupro praticado contra a jovem Desiree Washington.

O enredo é narrado pelo próprio Tyson que, no auge de sua sinceridade, torna mito alguns - a exemplo de Cus D´Amato e torna monstro outros - a exemplo de Don King, o inescrupuloso empresário de boxe.

Também o filme mostra o porquê de um dos episódios mais memoráveis de sua carreira - a mordida na orelha de Holyfield, na segunda luta entre os dois. Aliás, foram duas mordidas. A explicação de Tyson, que é também facilmente visualizável nas lutas: as cabeçadas dadas pelo "Real Deal". Holyfield usou e abusou de uma tática suja, para minar a resistência de Tyson, porque só assim poderia vencer. E Tyson, num acesso de fúria (dentre tantos outros que teve na vida), resolveu revidar. Não que isso justifique, mas sim ajuda a explicar.

Conta ainda outras curiosidades sobre o astro, como, por exemplo, a origem de sua tatuagem no rosto - homenagem aos maoris neozelandeses; a mudança de religião durante o período em que esteve preso; dentre outras tantas.

Enfim, Tyson é um personagem de que realmente tenho muito para falar, já que foi um dos meus ídolos no esporte - não na vida, diga-se. Considero firmemente que, se tivesse mais cabeça, Tyson poderia ser um dos três maiores pugilistas da história. Mas o seu exemplo de auge e decadência pode mostrar aos mais jovens algumas liçoes importantes, para que não cometam os mesmos erros.

Cotação: * * * 1/2

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 32

sábado, 19 de maio de 2012

"PATTON - REBELDE OU HERÓI" ("PATTON", 1970)

File:70 patton.jpgA viagem cinematográfica de hoje vai ao encontro da Segunda Grande Guerra Mundial, mais especificamente ao Norte da África (Tunísia, Marrocos, Argélia) e à Europa. Nesse cenário, exsurgiu um dos maiores nomes da Guerra Mundial: George Smith Patton Jr, General comandante da 3ª Divisão de Exército dos Estados Unidos da América.

O filme começa  com um discurso de Patton que entrou  para o rol das cenas marcantes da história do cinema. Ali, logo no início da história, o personagem nos é apresentado em sua inteireza, com todas as suas idéias e ideais.

Patton, conhecido ainda como "Blood and Guts" ("Sangue e Tripas"), tinha, definitivamente, uma personalidade marcante, às vezes paradoxal, sendo, ao mesmo tempo, amado e odiado pelos seus subordinados. A cena mais chocante do filme, e que traz um marco decisivo nos problemas que o General teve para impor sua força e seus métodos, foi o terrível tratamento dado a um soldado abalado psicologicamente com os contornos da guerra.

O líder do 3º Exército, sem dúvida, apresentou muitos erros, mas também teve suas virtudes. Afinal de contas, em uma guerra, o que conta realmente é a bravura, a coragem, o dom da obstinação em conseguir o resultado. E isso Patton tinha de sobra. Prova disso foi o rápido avanço de suas tropas em território europeu, libertando cerca de 12.000 territórios no velho continente em menos de 02 (dois) anos.

Assim, a ação se desenvolve durante o auge da Segunda Grande Guerra, em um período que se estende de 1943 (época que ainda estava no auge os combates no Norte da África, notadamente contra as forças de Erwin Rommel -o "Africa Korps") até a derrota da Alemanha em território europeu, incluindo a retomada de Palermo (que, segundo o General, foi lugar alvo de vários impérios), Paris, Berlim e outros centros.
É, sem sombra de dúvidas, um grande filme de guerra, com cenas bem realistas e chocantes.

A ênfase que é dada ao personagem é digna de nota, sendo um dos melhores filmes biográficos já realizados. Destaque também para o roteiro original, cuidadosamente trabalhado por quase duas décadas, reconhecido com a premiação no Oscar daquele ano.

E por falar em prêmios, vale mencionar que o filme ganhou 07 (sete) oscars em 1970, incluindo melhor filme, ator (George C. Scott) e direção (Franklin J. Schaffner). George C. Scott, que teve uma atuação irrepreensível como o obstinado general, acabou se recusando a receber a estatueta, afirmando que o prêmio da Academia era, na verdade, uma competição injusta, sendo todos os candidatos merecedores da láurea.

É mais um daqueles filmes para se ver antes de morrer.

Cotação: *  *  *  *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias. O gênero guerra pode ser muito violento para algumas pessoas.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS:

07 Oscars --> "Melhor filme", "Melhor Ator" (George C.Scott- prêmio que foi recusado pelo ator por não aceitar concorrer com outros atores); " Melhor Diretor", "Melhor Roteiro Original", "Melhor Edição", "Melhor Som" e "Melhor Direção de Arte". Foi ainda indicado em mais três categorias: Montagem, Efeitos Visuais e Trilha Sonora.

AFI´S 100 YEARS, 100 MOVIES - 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS AFI

Crítica 04

"MARIA ANTONIETA" ("MARIE ANTOINETTE", 2008)

Olá!
File:Marie-Antoinette poster.jpg

O filme a ser comentado hoje refere-se período pré-Revolução Francesa, mais especificamente ao tempo em que a rainha franco-austríaca Maria Antonieta viveu na corte francesa  (leia-se "Palácio de Versailles" e "Petit Trianon") - mais ou menos de 1770 até 1789.

Eis o filme "Maria Antonieta" ("Marie Antoinette"), escrito e dirigido por Sofia Coppola, filha do diretor da Trilogia "O Poderoso Chefão", Francis Ford Coppola.

Maria Antonieta foi coroada rainha da França após a morte do Rei Luís XV. Antes, já havia se casado com o que seria o futuro rei Luís XVI, casamento que foi fruto de um acordo das dinastias Habsburgo (da Áustria, já comentada em posts anteriores) e Bourbon (da França).

O filme peca pela pouca densidade dos personagens e dos fatos marcantes da vida da rainha Antonieta. 
Também foca demais nas questões de etiqueta, sendo carregado de passagens cansativas, a ponto da própria personagem principal reclamar das situações ridículas - dezenas de pessoas apenas para acordar a futura rainha foi um exemplo desse tipo de "embroglio".

A película apresenta-nos um Rei Luís XVI bem tímido, com dificuldades inclusive para se relacionar amorosamente e sexualmente com a bela rainha vivida pela bela Kirsten Dunst (a mesma que foi namorada do Homem-Aranha nos três sucessos da série dos quadrinhos). Aliás, a atuação de Kirsten não refletiu a importância da personagem.

Historicamente falando, a película omite situações importantes - como a explicitação dos contornos da Revolução Francesa e a morte da rainha, por guilhotina, em 1793 - e é bastante simplista em outras tantas - a exemplo do porquê do ódio do povo com relação à rainha, que deveria ter sido melhor explorado. Vale destacar que a trama não deixou de fora algumas situações conhecidas, inclusive no imaginário popular, como a famosa frase "se o povo não tem pão, dê-lhe brioches". 

O mérito do filme reside justamente na beleza de sua fotografia - foi filmado em grande parte no mais lindo palácio do mundo, o de "Versailles" e no "Petit Trianon", uma espécie de casa de campo dada de presente pelo rei à rainha. Assim, a tal beleza fotográfica acaba, por muitas vezes, encobrindo os muitos deslizes de roteiro e a falta de aprofundamento da trama, transformando a sessão em uma diversão daquelas para se ver à tarde.

Tive a impressão também que o filme é "pop" demais, muito descontraído às vezes, com algumas músicas modernas, o que derruba o seu ar histórico e o torna menos "sério".

Enfim, não é um filme memorável, está longe de ser, mas tem certa fidelidade com a história e uma beleza cênica que realmente merecem, no mínimo, atenção. E um ótimo figurino. Mas nada mais.

Cotação: * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: 01 Oscar - "Melhor Figurino".

Crítica 03

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"AMADEUS - VERSÃO DO DIRETOR" ("AMADEUS - DIRECTOR´S CUT", 1984)

Viena. Império dos Habsburgo. Nesse contexto histórico, ganhou notoriedade um dos grandes gênios da história da humanidade: Wolfgang Amadeus Mozart.

"Amadeus", longa que estreiou nos cinemas do mundo todo em 1984, é o maior sucesso das carreiras do diretor Milos Forman e do ator F. Murray Abraham, que encarnou Antônio Salieri, o invejoso inimigo de Mozart no filme.

O título "Amadeus" deriva do nome adotado por Mozart. É o nome do meio do artista, tradução de seu nome de batismo "Theophilus" para a língua latina.

O filme, em si, é espetacular. Não à toa, ganhou 08 (oito) oscars, sendo um dos campeões da história do "Academy Awards".

O brilho da película, além da impecável direção de arte e de seu figurino fantástico (igualmente laureadas com o Oscar), vai ao encontro da atuação de F. Murray Abraham, corretamente agraciado naquele ano pela  Academia de Hollywood como melhor ator. É impressionante a encarnação do personagem Antônio Salieri por Abraham, sendo uma das  mais destacadas atuações do cinema em todos os tempos.

O filme perpassa a vida do gênio, desde as suas primeiras aparições na corte vienense até a sua morte. Uma vida regada a muita genialidade (é um dos maiores compositores clássicos de todos os tempos), mas também a muitos erros (em um dado momento, o genial compositor abandona a esposa para viver a esbórnia no período noturno). Tom Hulce, embora não tenha vencido o prêmio máximo do cinema, faz o papel brilhantemente também, com uma risada característica que certamente arrancará muitas gargalhadas do espectador.

Vale ressaltar que a película é baseada em uma peça teatral escrita e idealizada por Peter Shaffer. Assim, devemos abrir uma licença poética para o autor, que introduz na peça (e no filme, dela derivado) um Salieri bem mais maldoso do que os relatos históricos dizem. Salieri, sem dúvida, foi um fracassado em comparação à Mozart, mas não há provas históricas de que tenha prejudicado tanto assim o "gênio de Salzburg".

Mas a delícia do filme está justamente no contraponto estabelecido entre Salieri e um muitas vezes ingênuo Mozart, notadamente no que concerne às artimanhas e maldades do italiano invejoso, que perpassam todo o filme, produzindo momentos bastante interessantes e convincentes.

Vale lembrar que existem disponíveis duas versões do filme: a primeira, com o original lançado em 1984 e a outra, com a versão do diretor ("director´s cut"), com 20 minutos a mais de projeção (essa que aqui foi comentada).

Enfim, trata-se de um dos grandes filmes da história da cinema, que merece sempre ser visto e apreciado.

Cotação: * * * *

TOP 100 - MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

TOP 100 -  MELHORES DRAMAS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS:

08 Oscars - "Melhor Filme", "Melhor Ator" (F. Murray Abraham), "Melhor Diretor" (Milós Forman), "Melhor Direção de Arte", "Melhor Roteiro Adaptado", "Melhor Figurino", "Melhor Maquiagem", "Melhor Edição de Som".

04 Globos de Ouro - "Melhor Filme de Drama", "Melhor Ator de Drama" (F. Murray Abraham), "Melhor Diretor" (Milos Fórman), "Melhor Roteiro".

04 BAFTAS - "Melhor Filme", "Melhor Som", "Melhor Edição", "Melhor Maquiagem".

 "AMERICAN FILM INSTITUTE" - Um dos 100 melhores filmes de todos os tempos.


Crítica 02.

"OPERAÇÃO VALQUÍRIA" ("VALKYRIE, 2008)

A Segunda Grande Guerra tem vários momentos marcantes. E inúmeras histórias reais que servem de inspiração a muitos filmes.

É o caso de "Operação Valquíria", filme que conta a história do mais famoso atentado de alta traição dentro do exército alemão contra Adolph Hitler, o "Fuhrer".

Conforme relatos históricos, o "Fuhrer" alemão sofreu, durante o seu período de liderança, pelo menos 27 atentados. Esse, especificamente, realizado em 20 de julho de 1944, comandado pelo Coronel Claus von Stauffenber (interpretado por Tom Cruise), é o mais conhecido deles.

Vale destacar que deve ficar bem claro que, embora intimamente ligados, o plano para matar Hitler e a "Operação Valquíria", que dá título ao filme, são fatos distintos. Melhor dizendo, a "Operação Valquíria" seria posta em prática a partir do sucesso do atentado contra o líder alemão. 

Importante esclarecer outrossim, que, na verdade, a "Operação Valquíria" original foi um plano idealizado pelo alto escalão de Hitler para conter eventuais distúrbios que poderiam surgir a partir da destruição e morte de civis causadas pelos Aliados ou mesmo para não permitir levantes de trabalhadores estrangeiros que laboravam em indústrias alemãs.

Ocorre que o plano teve uma mudança de concepção ("Operação Valquíria 2"), perpetrada pelos Generais Olbricht e Tresckow e, principalmente, pelo Coronel Stauffenberg, objetivando controlar as cidades alemãs, prender os líderes nazistas e disarmar a poderosa SS de Hitler, tudo isso após o assassinato do Fuhrer.

Assim, em 20 de julho de 1944, na "Toca do Lobo" de Hitler (Prússia Oriental, território depois dividido entre Polônia e União Soviética), um atentado a bomba foi realizado, sem sucesso.

O que veio depois foi sofrimento e morte para os desertores, incluindo Stauffenberg, condenado à pena de morte por fuzilamento no mesmo dia do atentado.

O filme em si é fácil de assistir, tem uma produção de qualidade e conta com bons efeitos especiais. Peca por ser um pouco confuso no que se refere ao plano "Operação Valquíria" em alguns momentos. Acredito que, para quem não conheça a história da operação, conforme relatei nos parágrafos anteriores, pode ter dificuldades para entender o enredo. 

Ademais, o suspense fica bastante prejudicado, uma vez que todos sabemos de antemão que Hitler não morreu nesse atentado, mas apenas 09 (nove) meses depois. E, vale aduzir, a história não é nova no cinema, já tendo sido retratada em pelo menos outros cinco filmes. Mas isso não é demérito para o espetáculo já que, por exemplo, todo mundo conhece a história do "Titanic" (tragédia que, aliás, completou 100 anos na data de hoje, 14/04/2012), mas nem por isso deixa de assistir e gostar do filme.

Enfim, o tema é bastante interessante, sendo importante destacar que o Coronel Stauffenberg, visionário e corajoso desertor do fracassado regime de Hitler, foi visto, tempos depois, como um herói, sendo constantemente homenageado em território alemão.

A história é, no fundo, um prenúncio do fim do regime nacional-socialista, notadamente pela divisão de idéias existentes dentro do próprio exército alemão .

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Não.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Não.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim, com ressalvas.

PRÊMIOS: Nenhum.

Crítica 01.