sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CAPITÃO PHILLIPS (“CAPTAIN PHILLIPS”, 2013)

File:Captain Phillips Poster.jpgTom Hanks estava um pouco sumido dos filmes de sucesso. Reapareceu em uma boa obra de suspense, “Capitão Phillips”, do diretor Paul Greengrass.

E reapareceu em grande estilo. A sua atuação como o capitão que teve seu enorme navio seqüestrado por piratas somalianos é excelente, embora não tenha levado indicação ao Oscar. Talvez por já ser tão premiado, e ter tido outras atuações na carreira tão boas ou melhores que essa. Mas o fato é que o contraponto entre o capitão Phillips e o pirata somaliano Muse, vivido por Barkhad Abdi (esse sim, indicado ao Oscar) é a maior atração do filme.

A situação tensa da região do chamado “Chifre da África” (que engloba, além da Somália, Etiópia, Eritreia e o Djbuti), caracterizada pela fome e miséria, tem nos piratas o seu maior reflexo. Mercenários, e loucos por esse "emprego" (um dos únicos rentáveis naquele país), os piratas somalis seqüestram navios gigantescos com seus pequenos barcos. É essa a situação retratada no filme, com ares de grande veracidade, tudo pela mão competente de Paul Greengrass, o mesmo diretor do excelente filme “Voo United 93”.

Conforme ressaltado acima, o filme tem na atuação de seus dois atores principais o seu ponto mais forte. Barkhad Abdi, vale dizer, é um somali e nunca havia atuado em um filme, o que demonstra ainda mais o seu merecimento pela indicação ao prêmio máximo do cinema. Não deve levar, mas sua atuação é realmente empolgante e marcante.

O filme tem um suspense bastante interessante, embora seja um pouco longo. E isso é um dos pontos fracos da película – muitas cenas poderiam ser eliminadas.  A cena final de Hanks me soou um pouco exagerada e parece ter sido feita somente para justificar uma possível indicação ao Oscar, que não ocorreu.

Mas é uma obra acessível ao grande público e que certamente agradará os amantes da sétima arte.

Cotação: * * * ½

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Ganhou 4 indicações ao Globo de Ouro, mas não levou nenhuma estatueta. 6 indicações ao Oscar 2014 (melhor filme, melhor ator coadjuvante para Barkhad Abdi, melhor roteiro adaptado para Billy Ray, melhor edição, melhor edição de som, melhor mixagem de som).



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

“A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS” (“THE BOOK THIEF”, 2014).

Ficheiro:A-Menina-que-Roubava-Livros-poster.jpgHollywood tem investido cada vez mais na adaptação de livros de sucesso. “A Menina que Roubava Livros”, história adaptada do livro homônimo do australiano Markus Zusak, é mais um desses filmes.

O longa, ambientado no período do auge, e da derrocada, do regime nazista, conta a história de Liesel, filha de pais adotivos, que resolve aprender a ler da maneira mais inusitada possível – roubando livros, principalmente da biblioteca do Prefeito e de sua esposa. A história perpassa os momentos mais trágicos da guerra, como o bombardeio das cidades alemãs. E a trama se desenrola com esse pano de fundo. Mas o momento crucial é justamente quando um judeu passa a ficar escondido na casa dos pais adotivos de Lisa. De nome Max, é ele que escuta a leitura que a menina faz dos livros roubados. Paralelamente, desenvolve-se uma história de amizade e amor entre a menina e um menino, de nome Rudy (Nico Liersch).

A atuação da jovem Sophiel Nélisse como Liesel é tocante, mas não chega a ser emocionante. Aliás, o filme como um todo não traz esse sentimento de emoção ao público. Talvez a narrativa peque por ser superficial, por apresentar personagens muitas vezes sem o necessário aprofundamento. Um exemplo de personagem fraco é Max; outro, a esposa do Prefeito, que em certo momento compartilha os livros de sua biblioteca com a menina.

A amizade entre Liesel e Max deveria ter sido melhor explorada. Max passa o tempo todo em estado letárgico, sem nenhuma contribuição para o desenrolar da trama. Acorda para ver o bombardeio, e só.

Embora brilhantes, os atores Geoffrey Rush e Emily Watson, como os pais adotivos da menina, também ficaram presos à superficialidade do roteiro, não desenvolvendo seus personagens a contento - ou no nível que o talento dos atores merece.

Por tudo isso, chega-se à conclusão que o filme provoca emoção pequena e instantânea. Ou seja, não ficará na memória dos espectadores. Não gera impacto, nem emoção forte. Apenas uma obra regular. Dizem que o livro é bem melhor. 

Cotação: * * 

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: Nenhum, por enquanto.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"O LOBO DE WALL STREET" ("THE WOLF OF WALL STREET", 2013)

File:WallStreet2013poster.jpgA parceria Scorsese (diretor) e Di Caprio (ator) já rendeu bons filmes, sendo "Os Infiltrados" ("The Departed", 2006), vencedor de 4 (quatro) Oscars, incluindo melhor filme e diretor, o mais famoso deles. Mas em nenhuma das películas anteriores a dupla esteve tão afinada como em "O Lobo de Wall Street", um dos grandes lançamentos da temporada. 

DiCaprio tem aqui a atuação de sua vida. Ele encarna com perfeição Jordan Belfort, que ficou conhecido na corretagem nova-iorquina com a sugestiva alcunha de "Lobo de Wall Street". Um perfeito apelido para um homem ávido por dinheiro e fama. Vale aqui dizer que o personagem Belfort não é um herói, e nem devemos vê-lo como tal. Então, uma primeira advertência: não deixe a atuação de DiCaprio te convencer do contrário. A atuação do ator americano é tão convincente que o drogado e golpista personagem passa a ser visto até com certa simpatia - o que gerou, inclusive, crítica por parte das pessoas prejudicadas pelos atos criminosos dele na vida real.

O longa conta a história verídica de Jordan Belfort, com todos os desdobramentos mais importantes de sua vida e carreira, a exemplo dos dois casamentos (o primeiro, com uma cabeleireira; o segundo, com uma modelo); a perda do primeiro emprego; a vida pautada em drogas e mulheres fúteis; a fundação de uma empresa especializada em venda de ações de empresas fracas de mercado; a veia motivacional e de liderança, que arrebatou vários corretores que se tornaram cúmplices de seus crimes.

É uma comédia sensacional. Muitas vezes, o personagem de DiCaprio lembra líderes de algumas religiões com seus discursos motivacionais e supostamente transformadores da vida de cada indivíduo ali envolvido no negócio. Ávido por dinheiro e riqueza, não cansa de humilhar outras pessoas e estabelecer o discurso de que o mais importante na vida é o ter, não o ser. Em uma das cenas, depois do uso de drogas (uma constante no filme), Jordan rasteja, buscando seu carro ultramoderno, no que podemos classificar de uma das sequências mais engraçadas da história do cinema.

A atriz Margot Robbie desempenha com altivez sua personagem, Naomi, a segunda mulher de Jordan. É extremamente linda e sensual. Não é uma atriz das mais relevantes, mas parece estar à vontade no papel que lhe foi confiado.

O ator coadjuvante Jonah Hill, que faz o papel do amigo principal de Jordan, chamado Donnie, rouba a cena em vários momentos, em cenas hilárias. Concorre ao Oscar de Coadjuvante, em uma indicação merecida, mas não deve levar. 

Quanto a Scorsese, vale dizer que se trata de um diretor consagrado, com grandes filmes no currículo. Esse é mais um deles, e a sua marca está presente - o diretor adora personagens abjetos, despidos de moral ou mesmo diferentes. Enfim, personagens que fogem do padrão comum. É o que mais se vê nesse formidável "Lobo de Wall Street", uma comédia com muito humor negro. Lembrou "Depois de Horas" ("After Hours", 1985), o filme do mestre nova-iorquino com o maior número de bizarrices e esquisitices, ambientado em uma Nova Iorque esquizofrênica e maluca.

Vale ressaltar que o longa é para maiores de idade (desaconselhável para adolescentes), tendo em vista as cenas de sexo e drogas em excesso e os pesados diálogos, que usam e abusam da expressão "f.." (509 vezes). Como dissemos anteriormente, o final do filme, com a superação do personagem após a prisão, pode mostrar que tudo o que ele fez anteriormente em tese compensa. O que não é verdade. 

A película realmente pode desagradar alguns, embora eu repita, sempre: no cinema, devemos sempre nos despir de preconceitos e procurar embarcar nas aventuras propostas. E é isso que faz a diferença em um filme como esse, de três horas de duração.

Uma aula de cinema. Três horas de puro entretenimento.

Cotação: * * *  1/2

TOP 100 - MELHORES COMÉDIAS DE TODOS OS TEMPOS

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias. 

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS:  Vários.

5 indicações para o Oscar 2014 (Melhor Filme, Melhor Ator para Leonardo DiCaprio; Melhor Diretor para Martin Scorsese; Melhor Ator Coadjuvante para Jonah Hill; Melhor Roteiro Adaptado).

Top Ten Films of the Year, do American Film Institute. 

Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical (Leonardo DiCaprio).


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2" (2013)

Até que a Sorte nos Separe 2Esperar que filmes brasileiros da "Globo Filmes" sejam um primor de roteiro e belas produções é realmente esperar muito. Mas não sejamos tão cruéis. Embora não seja um bom filme, "Até que a Sorte nos Separe 2" é daqueles filmes despretensiosos e que fazem rir, em situações muitas vezes grotescas e ridículas. 

O filme conta a manjadíssima história de um casal que tira a sorte grande e recebe uma herança milionária de um tio. Entretanto, o testamento indicava a necessidade de que as cinzas do finado fossem jogadas no Grand Canyon, nas proximidades de Las Vegas. Assim, com esse pretexto, o casal vai para a "Sin City" e o marido, um perdulário jogador, vivido pelo comediante Leandro Hassum, perde tudo. Além de perder tudo, Tino (Hassum) passa a ser perseguido por um mafioso mexicano, que lhe havia emprestado algum dinheiro para continuar jogando. Assim, está estabelecido o pano de fundo para as mirabolantes situações vividas pelos personagens.

Algumas cenas são bem engraçadas. O comediante Leandro Hassum mostra que tem realmente talento para as situações cômicas. Não para de fazer piadas no decorrer da trama. Camila Morgado também está bem, no papel da esposa de Tino. O filme conta ainda com participações especiais de Jerry Lewis, como um "bellboy" (título, inclusive, de primeiro filme do ator americano como diretor) e Anderson Silva, o famoso lutador de MMA.

O que fica do filme? Nada em especial. É uma diversão instantânea. Mas fica a pergunta: o que o espectador quer nas suas férias, no seu final de ano? Diversão descerebrada. Deixemos os filmes "inteligentes", "cults" ou mesmo "clássicos" para o decorrer do ano, ou quando o ano novo efetivamente começar. 

Cotação: * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Não.

PRÊMIOS: Nenhum.




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"JOGOS VORAZES" ("THE HUNGER GAMES", 2012)

File:HungerGamesPoster.jpg

Os adolescentes de todo o mundo sempre esperam com expectativa os filmes baseados em livros de sucesso entre eles. Foi assim com as séries "Harry Potter"e "Crepúsculo", entre outros. E é assim com "Jogos Vorazes", filme baseado na obra homônima de Suzanne Collins.

O filme conta a história de uma sociedade do futuro, onde um regime totalitário controla 12 distritos, realizando um evento anual, chamado "Jogos Vorazes". Nesse evento, realizado como forma de pagar um débito pelos problemas causados pelos distritos ao regime central, representantes dos doze distritos digladiam-se entre si até que apenas um sobreviva. A heroína da trama, Katniss Everdeen, interpretada com garra pela ótima atriz Jennifer Lawrence, se dispõe como voluntária para disputar a sobrevivência nos jogos. E aí começa a aventura e a luta pela vida e pela dignidade.

É um filme apenas regular. Não emociona, não tem suspense. A melhor cena de ação se resume a um ataque de vespas mutantes a um grupo de jovens gladiadores.

A atuação de Lawrence, vale dizer, é convincente. Mas cabe ressaltar que tal convencimento se deve muito mais à qualidade da moça como atriz que das qualidades do roteiro. Ela é uma presença muito agradável e bonita de se ver na tela grande.

O filme lembra um pouco "O Sobrevivente" ("The Running Man", 1987), estrelado por Schwarzenneger. Nessa película, o brutamontes envolve-se também em um jogo mortal filmado para a televisão americana no futuro, com um sádico apresentador como contraponto ao herói. Só que o longa de 1987 tem muito mais ação que esse. 

Para o público adolescente, talvez seja até um divertimento interessante. É uma distração garantida, sem chegar a ser enfadonha.  Mas não me convenceu, nem entrou para a minha lista pessoal de melhores filmes.

COTAÇÃO: * * 

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Jennifer Lawrence ganhou vários prêmios menores, de melhor atriz, a exemplo do "Saturn Awards", "Empire Awards" e "People Choice Awards", todos em 2013.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"THOR 2- O MUNDO SOMBRIO" ("THOR - THE DARK WORLD", 2013)

File:Thor - The Dark World poster.jpgOs estúdios Marvel continuam inundando os amantes de uma boa sessão de cinema com superproduções estilo "blockbuster". "Thor 2 - O Mundo Sombrio" é mais um exemplar da série dos quadrinhos no cinema, cuja intenção é justamente ser um campeão de bilheteria.

Mas não é um grande filme. Melhor que o primeiro. Porém, essa assertiva não é suficiente para fazer com que o filme entre em um "top ten" (os dez melhores) da Marvel. 

Na história, o planeta Asgard, passa a ser ameaçado por um elfo negro, que quer dominar o lugar através de uma substância chamada éter. Para conseguir o intento, entra em conflito com Thor, filho de Odin e sucessor do trono. Nesse ínterim, temos ainda a prisão de Loki (o mesmo do filme "vingadores") e a eterna luta (física e psicológica) entre ele e seu irmão Thor.

Muitos elogiaram o roteiro. Realmente, o filme é bem conduzido. Acredito que o filme é suficientemente bom para agradar os fãs declarados do personagem; mas não o é para agradar inteiramente a plateia que não é tão fã assim (ou que não conhece os desdobramentos dos livros e quadrinhos sobre o mito nórdico). Para o espectador comum (nesse sentido, de não ser fã específico do personagem), fica a sensação do excesso de batalhas e de um roteiro que não prende a atenção como deveria. Enfim, uma história até certo ponto chata. É essa a minha sensação.

Mas o filme tem seus méritos, e pode tranquilamente ser classificado como bom. E é um bom entretenimento, apesar de não apresentar novidade nenhuma em termos de efeitos especiais.

Cotação: * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum.

sábado, 2 de novembro de 2013

"GRAVIDADE" ("GRAVITY", 2013)

File:Gravity Poster.jpgCinema é, antes de tudo, a arte da magia, da inventividade, da criatividade. É a arte perfeita para fazer a imaginação do espectador fluir. E "Gravidade", de Alfonso Cuarón, é o grande lançamento do ano de 2013 nessa vertente que une, de maneira irretocável, diversão, magia e ficção. 

O filme tem uma história que é simples, mas ao mesmo tempo arrebatadora. Mexe com os sentimentos humanos, ao explorar, de forma contundente,  a linha tênue que separa a vida da morte, o instinto de sobrevivência e a possibilidade de desistência (ou melhor, a perspectiva do suicídio em meio ao caos e a falta de esperança).

O longa narra, em síntese, a história da pesquisadora Ryan Stone (Sandra Bullock) que, juntamente com Matt Kowalski (George Clooney), em plena missão espacial, descobrem que serão alvo de uma onda de destroços surgidos a partir de um choque de satélite. O que se sucede é a destruição completa da nave espacial (e a morte de todos os tripulantes, à exceção de Ryan e Matt) e a terrível situação dos astronautas à deriva no espaço sideral. Começa aí a luta pela sobrevivência, com diminuição do oxigênio, novas chuvas de detritos, incêndios,  dentre outras situações alarmantes.

Em matéria de efeitos especiais, temos a dizer que o filme é uma barbada no Oscar. Deve levar o prêmio máximo do cinema facilmente. É simplesmente uma revolução nesse quesito, com bastante inventividade. Inventividade que surgiu da necessidade causada pela própria película - as longas sequências levaram a equipe de produção à inovação no que concerne à filmagem da gravidade zero. Longas sequências sem cortes, aliás, que são espetaculares e um deleite para os cinéfilos, uma vez que permitem a todos viverem juntos com os personagens a aventura mirabolante.

Mas nem só de efeitos especiais vive "Gravidade". O longa tem amplas condições para concorrer em outras categorias, a saber, filme, direção, som (edição e mixagem) e, notadamente, melhor atriz. Sim. Melhor atriz. Em que pese as poucas palavras e a pouca liberdade de atuação, Sandra Bullock se desdobrou e esteve muito bem. Vale a pena premiar um trabalho tão árduo como o dela, cujo resultado final ajuda a entender a perfeição do filme. Vale aqui trazer à baila trecho da entrevista do diretor mexicano Cuarón à Veja, que ajuda a entender o sacríficio e o comprometimento dessa brilhante atriz:

"(VEJA) Também Sandra Bullock teve de enfrentar desafios técnicos e físicos em escala inédita para um ator, não?

(Cuarón) Seria impossível enumerá-los, mas vou tentar. Primeiro, a limitação dramática: como todos os movimentos de câmera estavam pré-programados, simplesmente não havia espaço para sequer tentar algo um pouco diferente. Sandra teve de desenvolver o personagem dentro de marcações duríssimas de tempo e de movimento. Depois, a solidão intensa. Na maior parte do tempo, Sandra ficava girando presa a uma armação, dentro de uma caixa preta iluminada conforme as exigências da cena, com as câmeras se movendo ao redor dela - é um dos recursos que bolamos para transmitir a sensação de que ela está flutuando. Como era muito difícil entrar e sair da armação, ela permanecia até dez horas ininterruptas dentro desse caixote. Tente aguentar dez minutos disso e depois me diga como se sentiu. Mas ainda não chegamos ao pior: para as cenas em que ela tem de se movimentar livremente em gravidade zero dentro da estação espacial, fizemos de Sandra literalmente uma marionete. Ela vestia placas de metal às quais ia presa uma dúzia de cabos - os quais eram manipulados por titereiros que vieram da montagem londrina da peça Cavalo de Guerra e robôs como esses usados na fabricação de automóveis. É um esforço inimaginável. Tentei - e em segundos já estava berrando para me tirarem dali. Sandra, porém, treinava as sequências até o ponto em que esse esforço se tornasse imperceptível e só a graciosidade do movimento no espaço restasse, para então se concentrar inteira na interpretação".

(REVISTA VEJA, edição 2.342, ano 46, nº 41, 9 de outubro de 2013, págs.124/125)

Assim, o filme já pode ser considerado um marco do cinema. O cinema da magia. Da imaginação. Da ficção. Do espetáculo e das cenas incríveis. Dos planos longos arrebatadores, que levam os espectadores a viajarem juntos com os atores. Da luta pela sobrevivência em meio ao caos e à falta de perspectiva. E, mais que tudo isso, da criatividade no .uso dos recursos materiais e humanos.

Enfim, um filme magistral. Um toque de mestre na história do cinema.

COTAÇÃO: * * * * *

SUCESSO DE BILHETERIA: Sim.

SUCESSO PERANTE O PÚBLICO: Sim, mas há controvérsias.

SUCESSO DE CRÍTICA: Sim.

PRÊMIOS: Nenhum, por enquanto.